Política

Lula afirma que democracia perde espaço para extrema-direita em evento no Chile

Presidente destaca ameaça global à democracia e defende regulação de plataformas digitais e big techs

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta segunda-feira (21), em evento no Chile, que a democracia está sendo ameaçada pela extrema-direita. Lula participou de encontro com líderes da América Latina e Europa, onde defendeu a regulação das plataformas digitais e destacou a importância do equilíbrio entre os poderes no Brasil.

O evento reuniu presidentes do Chile, Colômbia, Uruguai e o primeiro-ministro da Espanha para discutir desafios à democracia e o combate à desinformação.

Durante o encontro, Lula afirmou que, no início do século XXI, a democracia está perdendo espaço não para o socialismo, mas para a extrema-direita, que apresenta comportamentos nazistas e fascistas, desrespeitando relações civilizadas. “O que nós estamos percebendo nesse primeiro quarto do século é que a democracia está perdendo espaço, não para o socialismo, mas para a extrema-direita, com comportamento nazista, fascista, que não respeita a relação civilizada entre os iguais e desiguais”, declarou.

O presidente brasileiro também ressaltou que, após a eleição de Jair Bolsonaro, a população do Brasil percebeu o valor da democracia. O grupo de líderes internacionais discutiu estratégias para defender a democracia e combater a desinformação em escala global.

Regulação das plataformas digitais

Em seu discurso, Lula defendeu a necessidade de regular as plataformas digitais e big techs, afirmando que as redes sociais “não são uma terra sem lei”. Ele destacou que crimes cometidos no ambiente digital devem ser tratados como crimes na vida real e diferenciou liberdade de expressão de liberdade de agressão. “Liberdade de expressão não se confunde com liberdade de agressão. As redes digitais não são uma terra sem lei em que é possível atentar impunemente contra a democracia, incitar ódio e a violência”, ressaltou.

Lula também enfatizou o modelo brasileiro, destacando a importância do equilíbrio entre os poderes, da resiliência e do fortalecimento das instituições.

Na última quinta-feira (17), Lula respondeu ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a regulação das big techs e a cobrança de impostos dessas empresas. Lula afirmou: “O mundo tem que saber o seguinte: esse país só é soberano porque o povo brasileiro tem orgulho desse país. E eu queria dizer para vocês que a gente vai julgar e vai cobrar imposto das empresas americanas digitais”.

Ele também rejeitou o uso da liberdade de expressão para justificar agressões e discursos de ódio, incluindo violência contra crianças, mulheres, negros e a comunidade LGBTQIA+.

Multilateralismo e cooperação

Durante o encontro, os países participantes manifestaram apoio ao multilateralismo e à cooperação global baseada na justiça social, reforçando a necessidade de união internacional para enfrentar ameaças à democracia.

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