Os Estados Unidos ficaram de fora do evento internacional sobre democracia organizado por Brasil, Espanha, Chile, Colômbia e Uruguai. O encontro acontece em Nova York, na próxima semana, paralelo à Assembleia Geral da ONU, conforme divulgado em 20 de setembro de 2025.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (21) para Nova York, onde fará o discurso de abertura da Assembleia na terça-feira (23). A ausência dos EUA marca uma mudança em relação ao evento de 2024.
O evento, que segue o formato da edição anterior realizada em 2024, tem como objetivo discutir estratégias para fortalecer a democracia diante do avanço dos extremismos. No ano passado, os Estados Unidos, então sob a presidência de Joe Biden, participaram com representantes oficiais. Em 2025, porém, nenhum dos organizadores cogitou convidar os EUA, e tampouco houve manifestação de interesse da atual administração de Donald Trump.
Segundo auxiliares do governo brasileiro, a decisão de não convidar os EUA reflete o atual contexto de crise entre os dois países. Recentemente, Trump impôs tarifas de 50% sobre diversos produtos brasileiros, agravando as tensões comerciais e diplomáticas.
Uma das justificativas apresentadas pelo presidente americano para as sanções é a alegação de perseguição judicial ao ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump. Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe após a derrota nas eleições de 2022.
Após a condenação de Bolsonaro, ocorrida no último dia 11, autoridades dos EUA anunciaram novas sanções contra o Brasil. O clima de distanciamento ficou evidente também na preparação do evento sobre democracia: em julho, os países organizadores já haviam realizado uma prévia do encontro em Santiago, no Chile, sem a participação americana.
O evento deste ano reforça a articulação entre Brasil, Espanha, Chile, Colômbia e Uruguai em torno da defesa da democracia e do combate ao extremismo, ao mesmo tempo em que evidencia o isolamento dos EUA neste debate específico. A ausência americana é vista como um reflexo direto das recentes disputas políticas e comerciais, além das divergências sobre a situação política interna do Brasil.