O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quarta-feira (24), em Nova York, de uma reunião com líderes internacionais para debater a defesa da democracia e o combate ao extremismo.
Durante o evento, Lula questionou o crescimento da extrema direita e fez uma autocrítica sobre a atuação da esquerda e dos democratas.
O encontro ocorreu paralelamente à 80ª Assembleia Geral da ONU, reunindo chefes de Estado de países como Chile, Espanha, Colômbia e Uruguai.
Discussão sobre democracia e autocrítica
Na reunião articulada por Lula com os presidentes Gabriel Boric (Chile), Pedro Sánchez (Espanha), Gustavo Petro (Colômbia) e Yamandú Orsi (Uruguai), o presidente brasileiro questionou: “O que me importa hoje é a gente responder para nós mesmos onde é que os democratas erraram? Onde é e o momento em que a esquerda errou?”.
Ele seguiu: “Por que nós permitimos que a extrema direita crescesse com a força que está crescendo? É virtude deles ou incompetência nossa?”.
Lula fez uma autocrítica ao refletir sobre o papel dos governos progressistas: “Vamos responder para nós mesmos o que que nós deixamos de fazer para fortalecer a democracia. Onde é que nós erramos? O que eu fiz como presidente da República para fortalecer a organização popular e social?”.
Segundo Lula, muitas vezes os governos de esquerda acabam atendendo mais aos interesses de adversários do que dos próprios apoiadores, o que considera um “fracasso da democracia”.
O evento não contou com representantes dos Estados Unidos, decisão tomada pelos organizadores, que não cogitaram convidar o país, nem houve interesse da administração Trump.
Encontro internacional e repercussão
Essa foi a segunda edição do encontro liderado por governos de esquerda, como o Brasil. Além dos principais organizadores, participaram representantes de países como Albânia, Senegal, Guatemala, São Vicente e Granadinas, Cabo Verde, Bolívia e União Europeia, segundo Boric.
Expectativa de encontro entre Lula e Trump
Durante discurso na Assembleia Geral da ONU, Donald Trump relatou ter se encontrado rapidamente com Lula e afirmou que ambos acertaram uma reunião para a próxima semana, possivelmente por telefone ou videoconferência.
Trump disse ter tido “uma química excelente” com Lula: “Ele parece um cara muito legal, ele gosta de mim e eu gostei dele. E eu só faço negócios com gente de quem eu gosto. Por 39 segundos, nós tivemos uma ótima química, e isso é um bom sinal”.
A diplomacia brasileira, no entanto, trata a possível conversa com cautela. O Itamaraty orienta que o encontro seja preparado com atenção para evitar constrangimentos, como os ocorridos com outros líderes estrangeiros em reuniões anteriores com Trump.