O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o grupo Brics nesta sexta-feira (18), durante um evento sobre criptomoedas. Trump afirmou que o bloco pode “acabar muito rapidamente” caso avance na criação de uma moeda própria para desafiar o dólar.
O Brics reúne Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Egito, Arábia Saudita, Etiópia, Indonésia e Irã. O republicano reforçou que está comprometido em manter a liderança global da moeda norte-americana.
Durante o evento, Trump declarou: “Quando ouvi falar desse grupo dos Brics, basicamente seis países, fiquei muito, muito chateado. E se eles realmente se formarem de forma significativa, isso acabará muito rápido”. O ex-presidente destacou sua intenção de preservar a posição do dólar como referência internacional.
As declarações de Trump respondem à movimentação dos países do Brics para adotar um sistema de pagamentos em moedas locais, reduzindo a dependência do dólar nas transações comerciais. O Brasil tem priorizado essa pauta dentro do bloco, buscando ampliar o uso de moedas nacionais nas trocas entre os membros.
Não é a primeira vez que Trump faz ameaças ao bloco. No início do mês, ele afirmou que os países do Brics poderiam ser submetidos a uma tarifa de 10% “muito em breve”, como retaliação à tentativa do grupo de enfraquecer os Estados Unidos e substituir o dólar como moeda padrão global.
Na ocasião das ameaças sobre tarifas, Trump declarou: “Se eles quiserem jogar esse jogo, tudo bem. Mas eu também sei jogar”. Ele completou: “Qualquer país que fizer parte do Brics receberá uma tarifa de 10%, apenas por esse motivo”, indicando que a medida poderia ser implementada em breve.
O presidente Lula, defensor da adoção de uma moeda alternativa ao dólar para o comércio entre os países do bloco, respondeu às ameaças de Trump. Lula afirmou “não achar uma coisa muito responsável e séria” que um presidente da República de um país do tamanho dos EUA ficasse “ameaçando o mundo através da internet”.
A discussão sobre a criação de uma moeda própria entre os membros do Brics segue como uma das principais pautas do grupo, com potencial para alterar o cenário das transações internacionais e desafiar o domínio do dólar no comércio global.