Política

Lula rebate ameaças de Trump sobre tarifas e defesa de Bolsonaro

Presidente brasileiro critica postura de Trump após declarações contra o Brics e apoio ao ex-presidente Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu nesta segunda-feira (7) às ameaças de tarifas feitas por Donald Trump contra países alinhados ao Brics. O ex-presidente dos EUA defendeu Jair Bolsonaro e criticou o sistema judicial brasileiro. Lula afirmou que a soberania do Brasil não está em debate e rejeitou interferências externas, em meio à cúpula do Brics no Rio de Janeiro.

Troca de declarações entre Lula e Trump

Entre domingo (6) e segunda-feira (7), Lula e Trump trocaram declarações públicas durante a cúpula do Brics, realizada no Rio de Janeiro. Trump anunciou em sua rede social tarifas de 10% contra ‘qualquer país que se alinhar a políticas antiamericanas do Brics’. No dia seguinte, Lula afirmou que o bloco, formado por países do chamado Sul Global, ‘não nasceu para afrontar ninguém’.

Trump utilizou a Truth Social para defender o ex-presidente Jair Bolsonaro, alegando que ele sofre ‘perseguição’ no Brasil e prometendo acompanhar o caso. O americano também criticou o sistema judicial brasileiro e ameaçou renegociar acordos comerciais até 1º de agosto, dando prazo para que países evitem as tarifas anunciadas em abril.

Resposta de Lula

Sem mencionar Trump diretamente, Lula declarou em rede social que o tema compete aos brasileiros e que o país não aceita ‘interferência ou tutela de quem quer que seja’. Em entrevista, afirmou: ‘Que deem palpite na sua vida e não na nossa.’ Sobre as tarifas, disse: ‘Eu não acho uma coisa muito responsável e séria um presidente da República de um tamanho de um país como os Estados Unidos ficar ameaçando o mundo através da internet.’

Lula também defendeu o Brics, ressaltando que o bloco ‘não nasceu para afrontar ninguém’.

Repercussão no governo e no STF

A ministra Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais, criticou Trump ao dizer: ‘O tempo em que o Brasil foi subserviente aos EUA foi o tempo de Bolsonaro.’ O advogado-geral da União, Jorge Messias, reforçou: ‘A soberania brasileira não se negocia.’ Ministros do STF decidiram não responder diretamente a Trump para evitar polêmica, mas um deles classificou as falas como ‘risíveis’ e afirmou que o Judiciário brasileiro funciona melhor que o dos EUA.

Situação de Bolsonaro e contexto internacional

O ex-presidente Jair Bolsonaro é réu no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022 e foi declarado inelegível pelo TSE em 2023. Mais de 490 pessoas já foram condenadas por envolvimento nos atos de 8 de janeiro, e a ação penal contra o núcleo político golpista segue em andamento.

Brics e reações internacionais

A ofensiva de Trump ocorreu após a divulgação da ‘Declaração do Rio de Janeiro’ pelo Brics, que defende o multilateralismo, rejeita tarifas unilaterais, condena ataques a Irã e Rússia, apoia a criação de um Estado palestino e pede fim da violência em Gaza. China, Rússia e África do Sul defenderam o bloco e criticaram o uso de tarifas como instrumento de pressão internacional.

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