Cerca de 1.200 contêineres de rochas naturais devem deixar de ser exportados do Brasil até 31 de julho, após o governo Trump impor tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. O Espírito Santo, principal estado exportador, calcula prejuízo de US$ 40 milhões. Empresas e trabalhadores do setor já sentem os efeitos da medida.
Impactos imediatos e reação do setor
Mais da metade dos embarques brasileiros de rochas naturais para os Estados Unidos foi suspensa desde o anúncio da nova tarifa. O Espírito Santo concentra a maior parte das exportações e agora enfrenta pedidos de clientes norte-americanos para adiar os envios. “Eles não estão cancelando os pedidos ainda, mas pediram para não embarcar. Querem uma posição para entender se as tarifas serão realmente aplicadas a partir de 1º de agosto”, explicou Tales Machado, presidente da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas).
O setor estima que a paralisação de aproximadamente 1.200 contêineres até o fim de julho represente perdas financeiras de US$ 40 milhões. Empresários dos Estados Unidos se reuniram com instituições do setor para pressionar o governo americano a rever a decisão, destacando o forte impacto sobre os importadores.
Dependência do mercado norte-americano
Segundo o Centrorochas, a diversificação imediata de mercados não é viável. “Os Estados Unidos são, de longe, o principal destino das rochas naturais brasileiras, com características técnicas específicas que tornam o redirecionamento imediato inviável. Não há outro mercado capaz de absorver o volume demandado pelos EUA”, informou a entidade.
Somente em junho de 2025, os EUA responderam por 62,4% das exportações do setor no Espírito Santo, enquanto a China ficou com 17,5%. O estado foi responsável por 82,85% de todas as exportações brasileiras de rochas naturais no primeiro semestre de 2025. Os principais municípios exportadores são Serra, Cachoeiro de Itapemirim, Barra de São Francisco, Castelo e Atílio Vivácqua.
Desafios e repercussões políticas
O presidente do Centrorochas ressaltou que outros mercados buscam blocos brutos, o que seria um retrocesso para a indústria capixaba, já que o beneficiamento agrega valor e envolve uma cadeia produtiva maior. “As indústrias do Espírito Santo estão entre as melhores do mundo de rocha natural. Não tem como a gente voltar a vender bloco. É andar pra trás”, afirmou.
Apesar de buscar alternativas, o setor reconhece a dificuldade de substituir o mercado norte-americano no curto prazo. “A economia dos Estados Unidos é muito forte. Se a gente substituísse os Estados Unidos, não seria um processo fácil”, completou Machado.
Contexto internacional e críticas
Além do impacto econômico, a medida ocorre em meio a tensões diplomáticas. A Casa Branca rebateu críticas do presidente Lula e afirmou que Trump “não está tentando ser o imperador do mundo”. O governo americano também criticou o Brasil em áreas como meio ambiente e propriedade intelectual, citando investigações em curso. Paralelamente, a Otan mencionou possíveis sanções ao Brasil por manter relações com a Rússia, mas o chanceler Mauro Vieira considerou a ameaça “totalmente descabida” e afirmou que a organização não tem alcance comercial sobre o país.
Outros setores afetados
A tarifa também pode impactar outros produtos brasileiros, como o açúcar, já que o país é o segundo maior fornecedor dos EUA. A possibilidade de encarecimento de itens como a Coca-Cola com açúcar de cana foi levantada.