Após a suspensão das exportações de carne bovina para os Estados Unidos, Mato Grosso do Sul direciona esforços para negociar com Chile e Egito como mercados alternativos. O governo estadual também avalia ampliar a distribuição no mercado interno para minimizar impactos econômicos.
Impacto da suspensão e busca por alternativas
A suspensão das exportações de carne bovina para os Estados Unidos afetou diretamente o setor produtivo de Mato Grosso do Sul. O governo estadual e representantes do setor estão focados em abrir negociações e fortalecer relações comerciais com Chile e Egito, considerados estratégicos para absorver a produção local.
O secretário Jaime Verruck destacou que o redirecionamento da carne exige um processo gradual, dependente da competitividade dos preços. “O 1º de agosto está muito próximo. Nós temos que prorrogar isso e há preocupação com os impactos na cadeia produtiva. Estamos falando de outros produtos também, como açúcar, florestas, celulose, mas o de imediato, o grande impacto de curto prazo realmente é na carne bovina”, afirmou Verruck.
Mercado interno em pauta
Diante das dificuldades para acessar novos mercados internacionais, o governo avalia ampliar a distribuição da carne bovina no mercado interno, tanto em Mato Grosso do Sul quanto em outras regiões do Brasil. Segundo o economista Aldo Barrigosse, 70% da produção já é destinada ao mercado interno, e há espaço para aumentar o consumo. “Os cortes de carne enviados ao exterior são diferentes dos consumidos internamente. A indústria procura uma melhor rentabilidade para sua produção. A tendência é um preço menor do que o praticado hoje”, explicou Barrigosse.
Participação nas exportações e negociações com os EUA
Dados da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (SEMADESC) apontam que Mato Grosso do Sul representa 7,3% das exportações brasileiras de carne bovina.
Em 2024, os Estados Unidos foram o segundo maior destino da carne bovina exportada pelo estado, com 18,42% do total comercializado, equivalente a US$ 235,5 milhões e 49,6 mil toneladas. A China liderou, com 24,18% das exportações, somando US$ 309 milhões e 66 mil toneladas.
No primeiro semestre de 2025, os EUA mantiveram a posição de segundo maior destino, com US$ 235,5 milhões e 49,6 mil toneladas embarcadas, representando 9,21% do valor total e 8,78% do volume físico exportado. A China seguiu na liderança, com US$ 309 milhões (12,09%) e 66 mil toneladas (11,71%).
A paralisação das exportações ocorreu após o anúncio de uma tarifa extra de 50% por Donald Trump sobre produtos brasileiros. O governo estadual está dialogando com o governo federal para tentar prorrogar a medida e abrir espaço para negociações.