Economia

Frigoríficos de Mato Grosso do Sul suspendem exportação de carne para os Estados Unidos após tarifa de Trump

Adoção de tarifa extra de 50 por cento sobre produtos brasileiros leva indústria local a paralisar produção destinada ao mercado americano

Frigoríficos de Mato Grosso do Sul suspenderam a produção de carne para os Estados Unidos após o anúncio de uma tarifa extra de 50% sobre produtos brasileiros pelo governo Trump.

A medida visa evitar acúmulo de estoques, já que as exportações para o mercado americano se tornaram inviáveis sem negociação.

Pelo menos quatro frigoríficos no estado interromperam a produção destinada aos EUA, segundo o sindicato local.

Motivações e impactos imediatos

A paralisação é considerada estratégica, conforme explica Capucci, representante do sindicato. Os embarques levam cerca de 30 dias para chegar aos Estados Unidos, e com a nova tarifa entrando em vigor a partir de 1º de agosto, cargas enviadas agora já seriam taxadas com o adicional.

Em 2025, a carne bovina desossada e congelada foi o principal produto exportado por Mato Grosso do Sul para os EUA, responsável por 45,2% do total e movimentando mais de US$ 142 milhões, segundo a FIEMS. Em 2024, esse tipo de carne ficou em segundo lugar nas exportações do estado para os americanos, com 27,8% e cerca de US$ 78 milhões.

Mercado internacional e alternativas

Os Estados Unidos são o segundo maior comprador da carne bovina nacional, atrás apenas da China, importando 12% do volume brasileiro, enquanto os chineses respondem por 48%, segundo o Ministério da Agricultura. Com a nova tarifa, as vendas brasileiras para os EUA ficam inviáveis, e a tendência é que os frigoríficos busquem ainda mais o mercado asiático, conforme análise de Fernando Henrique Iglesias, do Safras & Mercados.

Iglesias destaca que a queda nas vendas para os EUA não significa aumento da oferta de carne no mercado interno brasileiro. Os frigoríficos devem buscar redirecionar a produção para outros mercados internacionais a fim de evitar impactos negativos maiores.

Segundo ele, “a nossa sorte é que tem mais 100 países comprando carne do Brasil”. Em 2024, a Associação Brasileira da Indústria de Carnes (Abiec) abriu um escritório na China, facilitando a abertura de novos negócios no mercado asiático. Além disso, o Vietnã retomou as compras de carne bovina brasileira neste mês, o que pode compensar parte das perdas no mercado norte-americano.

Apesar de não ser o principal fornecedor dos EUA – posição ocupada pela Austrália, que atende diretamente supermercados americanos –, o Brasil fornecia carne para a indústria dos Estados Unidos, mantendo até então o preço mais competitivo do mercado externo.

A inflação da carne bovina nos EUA, causada por uma redução histórica do rebanho local, tem elevado o preço do boi americano, que chega a custar o dobro do boi brasileiro, impulsionando as importações do produto.