O governo brasileiro afirmou a empresários que pretende resolver o impasse sobre o tarifaço dos Estados Unidos até 1º de agosto. A administração descarta pedir ao governo americano o adiamento da entrada em vigor das tarifas sobre produtos brasileiros. Empresários solicitaram um prazo de 90 dias, mas o governo considera que adiar não resolve o problema dos setores afetados.
O governo também garantiu que não usará a Lei da Reciprocidade Econômica antes de 1º de agosto, priorizando a diplomacia. As decisões foram comunicadas em reuniões realizadas nesta terça-feira com representantes do setor produtivo.
Negociações e posicionamento do governo
Durante reuniões realizadas nesta terça-feira, representantes do setor empresarial solicitaram ao governo brasileiro que pedisse aos Estados Unidos um prazo adicional de 90 dias para a entrada em vigor das novas tarifas. A medida, segundo os empresários, permitiria mais tempo para adaptação e negociação. No entanto, um representante do governo envolvido nas negociações afirmou que adiar o prazo “não resolve o problema” dos setores atingidos, destacando que a prioridade deve ser buscar a revisão da decisão americana.
De acordo com a fonte, “o governo não cogita pedir o adiamento do prazo, temos que buscar a revisão da decisão e não apenas focar no prazo”. O governo também assegurou que não pretende utilizar a Lei da Reciprocidade Econômica antes de 1º de agosto, evitando fechar as portas para o diálogo diplomático com os Estados Unidos.
Clima nas reuniões e regulamentação da lei
Empresários e representantes de setores produtivos presentes à reunião com ministros demonstraram preocupação de que o governo federal utilizasse imediatamente a Lei de Reciprocidade como resposta às taxas anunciadas por Donald Trump. O receio era acentuado pela regulamentação da lei, ocorrida nesta terça-feira. No entanto, ao final do encontro, o clima foi considerado mais ameno, com a garantia de que o governo priorizará a negociação e a ampliação dos canais diplomáticos.
A regulamentação da Lei de Reciprocidade permite ao governo federal reagir às tarifas impostas pelos EUA, mas a orientação, por ora, é manter a diplomacia como caminho principal.
Reuniões lideradas por Geraldo Alckmin
O pedido dos empresários foi formalizado na primeira das duas reuniões conduzidas pelo vice-presidente Geraldo Alckmin com representantes do setor privado nesta terça-feira. O encontro, realizado pela manhã, reuniu empresários da indústria para discutir a resposta brasileira ao aumento de tarifas anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A medida norte-americana prevê uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para os EUA a partir de 1º de agosto. O governo Lula criticou a decisão, considerando-a uma retaliação política motivada por críticas de Trump ao Supremo Tribunal Federal e em defesa de Jair Bolsonaro.
As reuniões integram o trabalho de um comitê interministerial criado por Lula, que envolve o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a Casa Civil, o Ministério da Fazenda e o Ministério das Relações Exteriores. O objetivo do governo é ouvir os empresários, avaliar os impactos da medida americana sobre as exportações brasileiras e discutir possíveis contramedidas.