A exportação de mel orgânico do Piauí está sob risco devido à possível aplicação de uma tarifa de 50% pelos Estados Unidos, anunciada pelo presidente Donald Trump. O estado lidera a exportação do produto para o país norte-americano em 2024, e a medida pode afetar principalmente pequenos produtores.
O mel orgânico difere do convencional por ser produzido sem agrotóxicos ou químicos sintéticos, passando por rigorosas certificações. O aumento de tarifas pode inviabilizar as exportações e impactar a economia regional.
Impacto das tarifas americanas no mercado do mel orgânico
A possível imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto, ameaça a competitividade do mel orgânico piauiense no mercado internacional. Atualmente, os Estados Unidos consomem cerca de 80% do mel produzido no Brasil, tornando o país um destino fundamental para os exportadores do Piauí.
Produtores locais temem que o aumento dos custos provocado pela tarifa inviabilize as exportações e afete diretamente a economia regional. Representantes do setor buscam alternativas para minimizar os impactos e manter a presença do mel orgânico do Piauí no mercado externo, valorizando a qualidade e os diferenciais do produto.
Preocupação dos especialistas
Em entrevista ao g1 nesta quarta-feira (16), Darcet Costa Souza, professor titular da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e chefe do departamento de zootecnia, afirmou que a medida representa uma ameaça sobretudo aos pequenos produtores. Segundo Souza, a demanda por alimentos orgânicos no Brasil tem crescido, impulsionada pela conscientização dos consumidores sobre saúde e sustentabilidade.
Diferenças entre mel orgânico e convencional
O mel orgânico é resultado de práticas agrícolas sustentáveis, sem uso de agrotóxicos, fertilizantes ou produtos químicos sintéticos. As abelhas coletam néctar de flores em áreas livres de contaminantes, e a produção exige certificações rigorosas. Para ser considerado orgânico, as colmeias devem estar localizadas em um raio mínimo de três quilômetros de áreas livres de contaminação.
Já o mel convencional pode ser produzido com o uso de pesticidas e outras substâncias químicas, afetando a qualidade do produto final. O professor Darcet Costa Souza destaca que “a vantagem é que é um alimento especial, o risco à saúde é quase zero, pela ausência de resquícios de agrotóxicos”. Ele também ressalta que, após a pandemia de Covid-19, a demanda por alimentos orgânicos aumentou.
Desafios para a produção de mel orgânico
No planeta, são poucas as áreas com condições ideais para a produção de mel orgânico, devido à necessidade de isolamento das abelhas de fontes de contaminação. O semiárido do Piauí, com práticas sustentáveis, tem se destacado nesse cenário, exportando para mercados como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e países da Europa.