O Ministério das Relações Exteriores publicou nota nesta terça-feira (15) repudiando manifestações do governo Donald Trump sobre o Brasil.
A reação ocorre após o anúncio do tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros e críticas de Trump ao governo Lula e ao Judiciário.
O Brasil promete responder com base na lei da reciprocidade econômica, aprovada e regulamentada nesta terça.
Reação oficial do governo brasileiro
Após o anúncio do tarifaço por Donald Trump sobre produtos brasileiros, o Itamaraty divulgou sua primeira manifestação oficial. Na nota, o órgão “deplora” e “rechaça” as declarações do governo norte-americano e as classifica como uma “intromissão indevida e inaceitável” nos assuntos internos do Brasil.
Trump, em carta enviada ao presidente Lula, alegou erroneamente que os Estados Unidos possuem déficit comercial com o Brasil e mencionou uma suposta “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O Itamaraty afirmou: “O governo brasileiro deplora e rechaça, mais uma vez, manifestações do Departamento de Estado norte-americano e da embaixada daquele país em Brasília que caracterizam nova intromissão indevida e inaceitável em assuntos de responsabilidade do Poder Judiciário brasileiro. Tais manifestações não condizem com os 200 anos da relação de respeito e amizade entre os dois países”.
Lula, por sua vez, reforçou em entrevistas e comunicados que o Brasil é um país soberano e não aceitará ser tutelado.
Próximos passos e alternativas
O governo brasileiro sinalizou que, caso não haja acordo com os Estados Unidos sobre as tarifas, responderá com base na lei da reciprocidade econômica, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada por Lula, com regulamentação publicada nesta terça (15).
O presidente Lula também mencionou a possibilidade de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), embora diplomatas avaliem que a entidade está atualmente paralisada e com pouca força para implementar decisões. Outra alternativa considerada é buscar uma ação conjunta com outros países afetados pelo tarifaço.
O Itamaraty destacou que o Brasil vem negociando com autoridades norte-americanas desde março sobre questões tarifárias de interesse mútuo e se mostrou disposto a continuar o diálogo para beneficiar ambos os países.
Por fim, o Ministério afirmou: “A equivocada politização do assunto não é de responsabilidade do Brasil, país democrático cuja soberania não está e nem estará jamais na mesa de qualquer negociação”.