Empresários dos setores industrial e agropecuário manifestaram insatisfação com a politização da crise tarifária, após o governador Tarcísio de Freitas marcar reunião no mesmo horário do encontro federal liderado por Geraldo Alckmin, nesta terça-feira (15).
O anúncio de novas tarifas pelo presidente Donald Trump motivou as agendas, mas representantes do setor produtivo criticaram a sobreposição e a falta de poder do governo paulista sobre o tema.
Críticas do setor produtivo à condução da crise
Representantes industriais e agropecuários destacaram que apenas o governo federal, por meio do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), tem competência para negociar tarifas comerciais. “Falar com o governo de São Paulo não resolve nada e alimenta briga por protagonismo”, afirmou um empresário a caminho da reunião federal em Brasília. Outro representante do agronegócio reforçou: “Quem negocia de fato é o governo federal. O resto é política.”
A insatisfação aumentou após Tarcísio de Freitas marcar uma reunião no Palácio dos Bandeirantes exatamente no mesmo dia e horário do encontro promovido pelo vice-presidente Geraldo Alckmin em Brasília, ambos para discutir os impactos das novas medidas tarifárias dos Estados Unidos. Os encontros ocorreram na manhã desta terça-feira (15).
Como resultado, muitos setores enviaram seus presidentes para Brasília e apenas representantes para a reunião em São Paulo, evidenciando a prioridade dada ao governo federal.
Repercussão política e descrença em medidas estaduais
Integrantes da cúpula da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) demonstraram descrença quanto à possibilidade de a reunião organizada por Tarcísio resultar em ações concretas. O governo paulista não tem atribuição legal para definir tarifas comerciais, função exclusiva do MDIC, que publicou hoje a Lei de Reciprocidade no Diário Oficial da União.
Além do empresariado, a reunião de Tarcísio também foi alvo de críticas políticas. Eduardo Bolsonaro ironizou a presença do representante da Embaixada dos Estados Unidos, classificando-o como “integrante do sexto escalão”. A sobreposição das agendas foi vista como disputa por protagonismo político, deixando claro o desconforto entre os setores produtivos diante da politização do tema.