O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, se reuniu nesta terça-feira (15) com cerca de 20 empresários dos setores de café, carne, metalurgia, laranja e madeira para avaliar os efeitos do tarifaço de Donald Trump. O encontro, realizado no Palácio dos Bandeirantes, contou com a presença de representantes do governo dos Estados Unidos e entidades empresariais.
Com a nova tarifa de 50% sobre exportações brasileiras, São Paulo pode perder até R$ 4,46 bilhões em seu PIB, segundo estudo do Nemea-UFMG. A medida, criticada pelo governo Lula, é vista como retaliação política.
Reunião e participantes
A reunião, que durou uma hora e meia e foi realizada a portas fechadas, contou com a presença de Tarcísio de Freitas, do secretário-chefe da Casa Civil, Arthur Lima, e do secretário de Desenvolvimento Econômico, Jorge Lima. Representando os Estados Unidos, participaram Gabriel Escobar, encarregado de negócios da embaixada, Natalia Arenas e Benjamin Wohlauer, cônsul-geral em São Paulo.
Entre os empresários e entidades presentes estavam representantes da CIESP, ABICS, ABIEC, CAFÉ OLAM, CATERPILLAR, CECAFÉ, COOXUPE, COSAN, CUTRALE, EMBRAER, USIMINAS e outros. O ex-presidente da Fiesp, Paulo Skaf, também participou, reforçando o convite do governo estadual ao setor privado.
Segundo Skaf, foi consenso que “todos os esforços devem ser feitos no campo diplomático para superar os impactos das novas tarifas anunciadas pelo governo norte-americano”. Ele defendeu que o diálogo e a negociação prevaleçam para proteger a competitividade da indústria brasileira.
Impactos econômicos
O tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros exportados para os EUA, válido a partir de 1º de agosto, pode causar uma queda de 0,13% no PIB paulista, cerca de R$ 4,46 bilhões. O estudo do Nemea-UFMG aponta perdas de 0,73% no PIB da agropecuária, 0,12% na indústria extrativa e 0,31% na indústria de transformação.
Setores como metalurgia, siderurgia, máquinas e equipamentos, além da agropecuária — especialmente a laranja — estão entre os mais atingidos. Mais de 90% da produção de laranja, usada para suco exportado aos EUA, concentra-se em São Paulo e Minas Gerais.
Repercussão política e institucional
Após o anúncio do tarifaço, Tarcísio de Freitas inicialmente criticou o governo federal, atribuindo a responsabilidade ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e acusando-o de priorizar ideologia sobre a economia. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, rebateu, acusando aliados de Bolsonaro de colocar interesses ideológicos acima dos nacionais e classificando a medida de Trump como chantagem política motivada por questões internas dos EUA e pelo julgamento de Bolsonaro no STF.
Dias depois, Tarcísio suavizou o discurso, defendendo a união de esforços entre governos estadual e federal para enfrentar o impacto das tarifas e elogiando a atuação diplomática do governo Lula. Esta foi a segunda reunião de Tarcísio com representantes da embaixada dos EUA, sendo a anterior realizada em Brasília, na sexta-feira (11).
No mesmo dia, o vice-presidente Geraldo Alckmin também se reuniu com empresários para discutir a resposta do Brasil ao aumento das tarifas. O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro criticou publicamente a postura de Tarcísio, defendendo o fim das tarifas e anistia para acusados de articular uma trama golpista em defesa de Jair Bolsonaro.