Governadores de oposição se reuniram nesta quinta-feira (7) em Brasília para exigir ações do governo federal contra a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
O encontro, realizado na residência de Ibaneis Rocha, contou com críticas ao presidente Lula e pedidos de protagonismo nas negociações com os EUA.
Além da pauta econômica, os governadores também defenderam a votação da anistia no Congresso Nacional e buscaram fortalecer a atuação das bancadas partidárias.
Reação à tarifa de Trump e críticas ao governo federal
Na reunião em Brasília, os governadores de oposição manifestaram preocupação com o impacto da nova tarifa de 50% sobre exportações brasileiras aos Estados Unidos, anunciada pelo presidente americano Donald Trump. Segundo eles, a medida visa pressionar a Justiça brasileira a encerrar o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.
Participaram do encontro Tarcísio de Freitas (São Paulo), Jorginho Mello (Santa Catarina), Ratinho Jr. (Paraná), Cláudio Castro (Rio de Janeiro), Romeu Zema (Minas Gerais), Ronaldo Caiado (Goiás), Mauro Mendes (Mato Grosso) e Wilson Lima (Amazonas), além do anfitrião Ibaneis Rocha (Distrito Federal).
O governo federal, embora pressionado, tem tentado diálogo com os EUA, mas a Casa Branca não se mostrou aberta a negociações até o momento. Tarcísio de Freitas cobrou do governo Lula ações concretas, como cronogramas, prazos e pacotes de mitigação dos impactos das taxas. Ronaldo Caiado criticou a postura de Lula, afirmando que “penaliza o setor produtivo” e defendeu a ampliação de mercados. Mauro Mendes, organizador do encontro, pediu protagonismo de Lula nas negociações, mas reconheceu que Trump está errado nas tarifas e que o governo brasileiro não pode romper relações com os EUA.
Discussão sobre anistia e articulação política
Além das questões econômicas, os governadores defenderam a votação da anistia no Congresso Nacional para os condenados pelos ataques de 8 de janeiro e para Jair Bolsonaro. Tarcísio de Freitas destacou a importância da independência dos Poderes e afirmou que Câmara e Senado precisam de tranquilidade para trabalhar. Ronaldo Caiado declarou que, se eleito presidente, seu primeiro ato seria a anistia ampla, geral e irrestrita.
Os líderes estaduais decidiram buscar o apoio dos presidentes dos partidos para fortalecer as bancadas no Congresso e desescalar a crise política. Tarcísio afirmou: “A gente vai procurar os presidentes dos partidos para fortalecer a atuação parlamentar, a atuação das nossas bancadas no Congresso Nacional, para que eles tenham voz e trabalharem para desescalar a crise”.
Mais cedo, Tarcísio visitou Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar devido à investigação sobre a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Mauro Mendes ressaltou que o Congresso Nacional deve pautar a anistia sem aceitar pressão de outros poderes, enfatizando o papel do Legislativo na democracia.