O encarregado de negócios dos Estados Unidos, Gabriel Escobar, encontra-se nesta terça-feira (15) com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, no Palácio dos Bandeirantes. No mesmo horário, o vice-presidente Geraldo Alckmin lidera, em Brasília, reunião com empresários para debater o tarifaço de Donald Trump.
As ações ocorrem após o anúncio dos EUA de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de agosto, medida criticada pelo governo Lula e que mobiliza esforços conjuntos entre esferas federal e estadual.
Reuniões simultâneas discutem resposta ao tarifaço
Às 10h desta terça-feira (15), Geraldo Alckmin recebe empresários da indústria brasileira na sede do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em Brasília, para tratar do impacto do tarifaço anunciado por Donald Trump. No mesmo horário, no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, Tarcísio de Freitas se reúne com Gabriel Escobar, representante da embaixada dos Estados Unidos.
Alckmin lidera o comitê interministerial criado pelo presidente Lula para avaliar medidas diante da decisão norte-americana. O comitê reúne Casa Civil, MDIC, Ministério da Fazenda e Ministério das Relações Exteriores. Segundo Alckmin, “a primeira tarefa é conversar com o setor privado”, priorizando setores industriais com maior relação comercial com os EUA, como avião, aço, celulose, máquinas, calçados, móveis e autopeças.
Já a embaixada dos EUA confirmou que Escobar também se reunirá com o setor privado paulista, ressaltando a importância do estado para investimentos americanos e a promoção da cooperação bilateral.
Repercussão política e posicionamento dos governos
Após o anúncio das tarifas, Tarcísio inicialmente responsabilizou o governo Lula, criticando a postura ideológica do presidente. A ministra Gleisi Hoffmann, por sua vez, acusou aliados de Bolsonaro de priorizarem interesses ideológicos e classificou o tarifaço como chantagem política de Trump, relacionada ao julgamento de Bolsonaro no STF.
Posteriormente, Tarcísio adotou tom conciliador, defendendo a união entre governos estadual e federal e elogiando a diplomacia do governo Lula. Esta é a segunda reunião de Tarcísio com Escobar sobre o tema; a primeira ocorreu em Brasília na sexta-feira (11).
Próximos passos e setores impactados
Alckmin anunciou duas reuniões com representantes do setor privado para articular a resposta brasileira. A primeira, nesta terça (15) às 10h, reúne setores industriais como aviões, aço, alumínio, celulose, máquinas, calçados, móveis e autopeças. Às 14h, será a vez dos exportadores do agronegócio, incluindo suco de laranja, carne, frutas, mel, couro e pescado.
A medida dos EUA, que impõe tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, é vista pelo governo Lula como retaliação política. Alckmin declarou não ter sido procurado por Escobar após o anúncio das tarifas, mas afirmou não ver problema no encontro entre Tarcísio e o diplomata americano.
A mobilização dos governos federal e estadual indica busca por estratégias conjuntas para mitigar os efeitos das novas tarifas sobre a economia brasileira e preservar as relações comerciais com os Estados Unidos.