Os Estados Unidos e a China decidiram estender a trégua tarifária por mais 90 dias, conforme noticiado pelo jornal chinês South China Morning Post. O anúncio ocorreu após encontro de representantes dos dois países nesta segunda-feira (28), em Estocolmo, Suécia.
O acordo, firmado em 12 de maio, prevê redução temporária das tarifas recíprocas, impactando positivamente mercados e diminuindo temores de recessão global.
Detalhes do acordo tarifário
Em 12 de maio, Estados Unidos e China concordaram em reduzir temporariamente as chamadas “tarifas recíprocas” durante um período de 90 dias. As tarifas dos EUA sobre importações chinesas caíram de 145% para 30%, enquanto as taxas da China sobre produtos americanos foram reduzidas de 125% para 10%.
O anúncio do acordo resultou em valorização do dólar frente a outras moedas e recuperação dos mercados de ações, refletindo o alívio dos investidores diante da menor possibilidade de recessão global causada pelo aumento das tarifas.
No entanto, cerca de duas semanas após o acordo, o presidente dos Estados Unidos acusou a China de violar os termos, afirmando em sua rede Truth Social: “A má notícia é que a China, talvez sem surpresa para alguns, VIOLOU TOTALMENTE SEU ACORDO CONOSCO”.
Em resposta, a China, por meio de comunicado da embaixada em Washington, pediu o fim das “restrições discriminatórias” e a manutenção do consenso alcançado em negociações de alto nível em Genebra. O porta-voz Liu Pengyu destacou que os dois países mantêm comunicação frequente sobre preocupações econômicas e comerciais em diferentes fóruns bilaterais e multilaterais.
Histórico da guerra tarifária
A disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo se intensificou após o anúncio das tarifas por parte do governo Trump, no início de abril. A China foi alvo de tarifas de 34%, além dos 20% já existentes sobre produtos chineses.
Em resposta, o governo chinês impôs tarifas extras de 34% sobre todas as importações americanas em 4 de abril. Os EUA retaliaram, e Trump estabeleceu prazo para retirada das tarifas, ameaçando elevar as taxas para até 104% caso não houvesse recuo chinês.
A China não cedeu e prometeu revidar. Trump então aumentou as tarifas para 125% sobre produtos chineses, valor que, somado a tarifas anteriores, chegou a 145% em 10 de abril, conforme explicou a Casa Branca. No dia seguinte, a China elevou as tarifas sobre produtos americanos para 125%.
Apesar de uma pausa anunciada por Trump para outros países, a China permaneceu como exceção, mantendo o ciclo de retaliações até a negociação recente.