O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), declarou nesta segunda-feira (14) que não apoia a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro em troca do fim da tarifa extra de 50% imposta por Donald Trump a produtos brasileiros.
Em entrevista à GloboNews, Nunes afirmou que “as coisas não podem se misturar” e destacou que decisões sobre tarifas envolvem uma conjuntura mais ampla, não sendo definidas unilateralmente por chefes de Estado.
Nunes defendeu que governantes devem priorizar os interesses da população que representam e criticou a tentativa de vincular temas judiciais a negociações comerciais.
Repercussão política e defesa dos interesses locais
Durante a entrevista, Ricardo Nunes ressaltou que, independentemente de quem imponha tarifas aos produtos brasileiros, seja os Estados Unidos sob Trump ou a União Europeia, ele e outros líderes estaduais e municipais serão contrários a medidas que prejudiquem São Paulo. “Os interesses do estado de São Paulo têm que ser defendidos pelo governador, os interesses do país, pelo presidente e os interesses do município, pelo prefeito”, afirmou Nunes.
O prefeito também saiu em defesa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado político, dizendo que todo governante tem obrigação de proteger sua população. Inicialmente, Tarcísio culpou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo tarifaço, mas, após críticas, mudou o discurso e defendeu união de esforços para minimizar os impactos.
Ministros do governo federal reagiram às críticas de Tarcísio, afirmando que Lula teria colocado a ideologia acima da economia e que a responsabilidade recai sobre quem governa. Tarcísio, aliado de Bolsonaro, é apontado como possível candidato à Presidência em 2026.
Justificativas e impacto das tarifas
Carta de Trump ao Brasil e contexto internacional
Em carta enviada ao presidente Lula, Donald Trump justificou o aumento da tarifa sobre o Brasil citando o julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), classificando-o como “uma vergonha internacional”. Trump alegou, sem apresentar provas, que a decisão foi motivada por supostos ataques do Brasil contra eleições livres e pela violação da liberdade de expressão dos americanos.
Trump determinou que a tarifa de 50% será aplicada sobre todas as exportações brasileiras aos EUA, além das tarifas setoriais já existentes. Produtos como aço e alumínio já enfrentam essa tarifa, o que afeta diretamente a siderurgia brasileira. A tarifa de 50% é a mais alta entre as novas taxas anunciadas.
Resposta brasileira e dados econômicos
O presidente Lula declarou que o Brasil não aceitará ser tutelado por nenhum país e que responderá ao aumento das tarifas com base na Lei da Reciprocidade Econômica. Lula também ressaltou que o processo judicial sobre a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 é de competência exclusiva da Justiça brasileira.
Apesar das alegações de Trump sobre déficits comerciais, dados do Ministério do Desenvolvimento apontam que o Brasil tem registrado déficits seguidos com os EUA desde 2009, gastando mais com importações do que arrecadando com exportações.