O anúncio do presidente Donald Trump sobre a taxação de 50% para produtos brasileiros a partir de agosto já causa prejuízos ao setor de mel orgânico.
Uma das maiores exportadoras do mundo teve o cancelamento imediato de 585 toneladas destinadas aos EUA, principal destino do produto brasileiro.
O impacto financeiro pode chegar a US$ 6 milhões, segundo o CEO do Grupo Sama, Samuel Araujo.
Impacto direto na cadeia produtiva
Com a nova tarifa, o custo da carga de mel orgânico enviada aos Estados Unidos aumentaria em cerca de US$ 6 milhões, tornando o preço final inviável para o mercado americano. Segundo Samuel Araujo, CEO do Grupo Sama, “com a tarifa, o custo do nosso mel vai dobrar. O preço é impraticável e trava qualquer negociação”. Ele ainda destaca que toda a cadeia produtiva foi atingida pelo cancelamento das exportações, e que a situação atual é comparável ao período da pandemia da Covid.
Araujo afirma que, apesar do cancelamento das vendas, a empresa manteve as compras já realizadas com fornecedores, mas alerta que a cadeia produtiva ficará paralisada a partir de agora. “Os navios que chegariam aos EUA antes de 1° de agosto [quando a nova tarifa entra em vigor] estão todos cheios. Não tem o que ser feito”, lamenta.
Dependência do mercado americano
Os EUA consomem 80% do mel produzido no Brasil. Em 2024, o Piauí liderou o ranking brasileiro de exportação de mel para o país, mesmo não sendo o maior produtor nacional. Islano Marques, gestor corporativo da Área Internacional e Mercado da Federação das Indústrias do Piauí (Fiepi), ressalta: “O Piauí é o 22º estado em exportações para os EUA. Mesmo assim, tem uma relação muito forte. Em torno de 85% da nossa exportação de mel vai para o mercado americano”.
Desafios e alternativas para exportadores
Diante do cenário, os produtores brasileiros buscam alternativas para escoar a produção. Samuel Araujo aponta que a Europa poderia ser um mercado potencial, mas ressalta que as negociações com outros países também tendem a ser impactadas pelo tarifaço dos EUA. “O mercado costuma ser oportunista nesses momentos. Nas novas negociações, com certeza não iremos conseguir um valor semelhante ao anterior. Ao saber do prejuízo de 50% que teríamos nos EUA, qualquer outro mercado vai querer negociar um desconto que seja inferior a essa porcentagem”, afirma.
Para Islano Marques, o principal desafio está no fato de não existir outro mercado alternativo capaz de absorver o mesmo volume importado pelos EUA. “Nós teríamos que fazer um esforço muito grande de diversificação de mercado para pulverizar melhor essa oferta”, avalia o gestor.