Tecnologia

Reconhecimento facial avança em prédios brasileiros com falhas na proteção de dados

Expansão da tecnologia gera preocupações sobre privacidade e falta de regulamentação clara para condomínios

O reconhecimento facial está presente em cerca de 1 milhão de condomínios no Brasil, segundo a Abrascond e o IBGE. Apesar da promessa de segurança, a proteção dos dados coletados é pouco transparente, gerando dúvidas sobre privacidade e uso das informações.

Especialistas e entidades alertam para riscos de vazamento, uso indevido e falta de alternativas para moradores, enquanto a regulamentação ainda é insuficiente.

Expansão do reconhecimento facial e preocupações

Nos últimos anos, a implementação de reconhecimento facial em prédios residenciais e comerciais brasileiros aumentou de forma significativa. A tecnologia promete facilitar o acesso e reforçar a segurança, mas a ausência de transparência sobre o armazenamento, proteção e uso dos dados biométricos preocupa especialistas e moradores.

Segundo estimativas da Abrascond e do IBGE, já são cerca de 1 milhão de condomínios utilizando o sistema. Informações como imagem do rosto, CPF, número de apartamento e registros de acesso diário são coletadas, inclusive de crianças, muitas vezes sem supervisão adequada.

Empresas responsáveis pelo serviço nem sempre garantem a proteção dos dados, e moradores frequentemente desconhecem o direito de recusar o uso do reconhecimento facial. A cadeia de responsabilidade é pouco clara, pois geralmente há uma empresa fornecedora dos equipamentos e outra responsável pela guarda dos dados.

Falta de regulamentação e fiscalização

A LGPD determina que a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) deve supervisionar o cumprimento da lei. Condomínios podem ser multados em até R$ 50 milhões caso não garantam o armazenamento correto das imagens. A ANPD reconhece o aumento do uso da tecnologia e afirma que a fiscalização do reconhecimento facial em áreas públicas é prioridade para 2024-2025, mas ainda não há ações específicas para condomínios.

Casos de vazamento e riscos de crimes

Casos recentes, como o vazamento de fotos de moradores em Jundiaí (SP) e fraudes envolvendo dados biométricos no gov.br, demonstram a gravidade dos riscos. Dados como nome, CPF, telefone e imagem facial foram expostos e utilizados em golpes, inclusive para acessar benefícios e simular prova de vida.

O Brasil já ocupa o 15º lugar no ranking global de países com mais redes de câmeras de vigilância com reconhecimento facial, com mais de 266 mil redes mapeadas, segundo a Top10VPN. A predominância é de marcas chinesas como Hikvision e Dahua.

Direitos dos moradores e fragilidades do sistema

Apesar da LGPD, muitos moradores desconhecem o direito de negar o reconhecimento facial ou de exigir a exclusão dos dados. A remoção costuma ocorrer de forma informal, sem registro ou garantia de que foi efetivada. O cadastro de imagens, muitas vezes feito por WhatsApp, evidencia a fragilidade dos processos.

Especialistas apontam que a maioria dos condomínios utiliza o nível básico de segurança, sujeito a falsos positivos e invasões. Não há definição clara sobre o tempo de guarda dos dados, e a ANPD ainda não publicou orientações específicas para o setor.

A Abrascond orienta síndicos a coletarem relatórios semestrais das empresas responsáveis pelos dados, detalhando medidas de segurança e notificações de incidentes, mas a ausência de padrões dificulta a fiscalização.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Reconhecimento facial avança no Brasil e gera discussões sobre privacidade e viés racial

ANPD determina suspensão de reconhecimento facial em escolas do Paraná

Câmeras com IA fazem policiamento preditivo e alarmam especialistas no Brasil

Golpistas utilizam fotos de redes sociais para burlar reconhecimento facial

Vazamento no CNJ expõe dados de chaves Pix de 11 milhões de pessoas

Base do CPF tem 300 mil centenários a mais do que o Brasil possui, aponta TCU