Meio ambiente

Instalação de novas estações aprimora monitoramento de terremotos no Espírito Santo

Equipamentos vão operar por dois anos em Aracruz e Itaúnas, mapeando riscos sísmicos após 45 abalos registrados desde o século XVIII

Duas estações sismográficas temporárias foram instaladas no Norte do Espírito Santo para monitorar terremotos. Os equipamentos funcionarão por dois anos em Aracruz e Itaúnas, regiões estratégicas próximas ao mar, onde há maior incidência de abalos sísmicos.

O estado já registrou 45 tremores desde o século XVIII, sendo o mais intenso em 1955. O projeto é coordenado pela professora Luiza Bricalli, da UFES, e conta com apoio do Observatório Nacional.

Monitoramento sísmico e objetivos do projeto

As novas estações sismográficas foram instaladas para coletar dados em tempo real, contribuindo para pesquisas em neotectônica, avaliação de riscos geológicos e prevenção de desastres naturais. Embora não permitam prever terremotos iminentes, os equipamentos ajudam a entender os fenômenos e seus ciclos.

Segundo a professora Luiza Bricalli, do Departamento de Geografia da UFES e coordenadora do Laboratório de Neotectônica e Sismologia (Lanesi), a escolha de Aracruz e Itaúnas se deu por serem áreas estratégicas, próximas ao mar e sem estações sismográficas anteriores. Os locais oferecem proteção adequada para os equipamentos, que ficam em abrigos técnicos com controle de temperatura, energia e internet, facilitando o acesso das equipes.

Os dados coletados fortalecerão a Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) e aprimorarão o monitoramento especialmente na margem sudeste do Brasil, conhecida como Amazônia Azul, onde está concentrada a maior parte da atividade sísmica da costa.

O armazenamento dos dados será feito em cartões de memória acoplados aos equipamentos, com coleta e análise a cada dois ou três meses.

Histórico de terremotos no Espírito Santo

O monitoramento de terremotos no Espírito Santo tornou-se mais eficiente a partir dos anos 2000, com a expansão da RSBR e a instalação de estações locais. No entanto, registros históricos existem desde o século XVIII, totalizando 45 eventos no estado.

O primeiro tremor registrado foi em 1767, em Vitória, com magnitude de 3.5 mR, conforme o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP. O mais intenso ocorreu em 1955, com magnitude de 6.3 mR e epicentro a 300 km da costa capixaba, considerado o quarto maior do Brasil. Não houve mortes, mas foram relatadas rachaduras, queda de telhados e pânico.

Em 2020, um abalo de 1.9 mR foi sentido no bairro Fradinhos, na capital. Em 2021, a região de Pancas registrou três tremores de baixa magnitude, sentidos especialmente na localidade de Lajinha, onde estantes chegaram a se mover e mercadorias caíram de prateleiras.

Expansão do projeto

Além das duas estações já em operação no Espírito Santo, o projeto prevê a instalação de mais quatro unidades: duas no Rio de Janeiro e duas em São Paulo. “Democratizar o conhecimento sobre esses fenômenos é essencial para proteger a população e planejar o uso responsável do território. Os dados das estações vão contribuir para políticas públicas mais eficazes e planejamento sustentável”, avaliou Bricalli.