O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, marcou as oitivas de testemunhas dos núcleos kids pretos e desinformação nas próximas semanas. As audiências integram a ação penal que apura a atuação de uma organização criminosa para manter Jair Bolsonaro no poder após as eleições de 2022.
Os depoimentos foram solicitados pela Procuradoria-Geral da República e por integrantes dos núcleos investigados, que compõem parte dos cinco núcleos denunciados. Bolsonaro e outros 33 são acusados.
Oitiva dos núcleos kids pretos e desinformação
As oitivas das testemunhas dos núcleos 3 e 4 ocorrerão em datas distintas no Supremo Tribunal Federal. O núcleo 3, conhecido como “kids pretos” ou “forças especiais” (FE), é formado por militares da ativa ou da reserva do Exército, especialistas em operações especiais. Segundo o Exército, essas tropas existem desde 1957.
De acordo com a Polícia Federal, os indiciados desse grupo elaboraram um “detalhado planejamento operacional, denominado ‘Punhal Verde e Amarelo'”, previsto para 15 de dezembro de 2022, que teria como alvo o presidente eleito Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin.
As oitivas das testemunhas do núcleo 3 estão agendadas entre 21 e 23 de julho. Já as do núcleo 4, responsável por criar e disseminar informações falsas para descredibilizar o processo eleitoral brasileiro e as urnas eletrônicas, ocorrerão entre 14 e 16 de julho.
Detalhes da denúncia e organização dos núcleos
A Procuradoria-Geral da República apresentou denúncia ao STF em 26 de março, acusando o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais 33 pessoas de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa.
Segundo a PGR, a organização criminosa era liderada por Bolsonaro e seu então candidato a vice, Braga Netto, contando com a participação de civis e militares. O objetivo seria impedir, de forma coordenada, a execução do resultado das eleições presidenciais de 2022.
Os denunciados foram divididos em cinco núcleos, sendo que Bolsonaro e Mauro Cid integram o chamado núcleo crucial do golpe. As oitivas das testemunhas marcam uma nova etapa nas investigações conduzidas pelo STF.