Donald Trump e Benjamin Netanyahu se reuniram na Casa Branca nesta segunda-feira (7), discutindo estratégias para Gaza, apoio militar à Ucrânia e negociações nucleares com o Irã. O encontro também abordou a indicação de Trump ao Nobel da Paz e o deslocamento de palestinos da Faixa de Gaza.
O momento coincidiu com avanços para um possível cessar-fogo entre Israel e Hamas, mas sem anúncio de propostas concretas. A reunião reforçou o alinhamento entre EUA e Israel em temas estratégicos do Oriente Médio.
Deslocamento de palestinos e estratégias para Gaza
No início da reunião, Netanyahu revelou que Israel e os Estados Unidos buscam países dispostos a receber palestinos atualmente na Faixa de Gaza. Trump afirmou haver “ótima cooperação” de países do Oriente Médio, sem detalhar quais aceitaram a proposta. Netanyahu sugeriu que a parceria poderia oferecer aos palestinos um “futuro melhor” e ressaltou: “Se as pessoas quiserem ficar, podem ficar, mas se quiserem sair, devem poder sair”. A ideia de deslocamento já vinha sendo mencionada desde o reinício dos ataques israelenses à região.
Trump, em seu primeiro encontro com Netanyahu desde o início do novo mandato, declarou que os EUA pretendem assumir o controle da Faixa de Gaza após a guerra, com planos até para construir uma “riviera do Oriente Médio” no território. Em maio, Netanyahu reiterou a intenção de dominar toda a Faixa de Gaza.
Cessar-fogo e negociações com o Hamas
O encontro aconteceu em meio a expectativas de cessar-fogo entre Israel e Hamas. Trump afirmou acreditar que um acordo pode ser alcançado em breve. Recentemente, o governo israelense teria aceitado os termos propostos pelos EUA, e o Hamas também sinalizou concordância. Os termos envolvem trégua, troca de prisioneiros e retirada parcial de tropas israelenses. Apesar do clima positivo nas negociações, não houve avanços concretos até o momento.
Apoio militar à Ucrânia
Durante o jantar, Trump defendeu o envio de mais armamento à Ucrânia, declarando: “Temos que fazer isso. Eles precisam ser capazes de se defender”. Dias antes, o republicano havia suspendido o envio de armas, mas o Pentágono anunciou posteriormente o envio de novos equipamentos ao exército ucraniano.
Negociações nucleares com o Irã
Trump informou que os EUA marcaram novas conversas com o Irã para negociar um acordo nuclear e expressou desejo de suspender sanções ao país. Netanyahu agradeceu a Trump pelos ataques recentes dos EUA a instalações nucleares iranianas, que resultaram em cessar-fogo entre Tel Aviv e Teerã após 12 dias de conflito.
Indicação ao Nobel da Paz e lobby político
No início do encontro, Netanyahu entregou a Trump uma carta de indicação ao Prêmio Nobel da Paz, justificando a escolha pelos “esforços” do presidente americano em prol da paz no Oriente Médio. As indicações ao Nobel podem ser feitas por membros de governos, parlamentos e outras autoridades internacionais.
O ministro israelense Avi Dichter afirmou esperar que o encontro também abordasse a normalização de relações com Líbano, Síria e Arábia Saudita, vislumbrando um “novo Oriente Médio”. Para Trump, fortalecer Netanyahu é essencial para avançar nessas negociações e manter a influência dos EUA na região. O ex-presidente americano chegou a criticar publicamente o processo judicial contra Netanyahu, acusado de corrupção, alegando que isso prejudica as negociações com Hamas e Irã.
Repercussão e contexto internacional
O encontro também foi marcado pela primeira manifestação pública de Trump após defender Jair Bolsonaro em sua rede social, alegando perseguição ao ex-presidente brasileiro. Lula respondeu, sem citar Trump, rejeitando qualquer interferência externa nos assuntos do Brasil.