O Hamas afirmou nesta terça-feira (30) que está estudando a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar a guerra na Faixa de Gaza. O grupo, porém, não estabeleceu prazo para apresentar uma resposta. Israel já aceitou o plano desde segunda-feira, enquanto a comunidade internacional se manifesta sobre o acordo.
Reações internacionais e locais ao plano
Os chanceleres da Arábia Saudita, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Catar e Egito receberam positivamente o anúncio, demonstrando disposição para colaborar com os EUA e outros países na conclusão e implementação do acordo. Na Europa, o presidente da Comissão Europeia, António Costa, incentivou as partes a aproveitarem a oportunidade para a paz. Emmanuel Macron, presidente francês, espera engajamento de Israel e a libertação imediata dos reféns pelo Hamas. O premiê britânico, Keir Starmer, elogiou a iniciativa dos EUA e pediu que o Hamas aceite o plano e entregue as armas. Em contrapartida, a Jihad Islâmica Palestina criticou a proposta, chamando-a de “receita para explodir a região”.
Na Faixa de Gaza, a população recebeu a notícia com ceticismo. Moradores relataram à AFP dúvidas sobre a aceitação do plano pelo Hamas e questionaram as garantias de fim do conflito. Abu Mazen Nassar expressou pessimismo, considerando o plano uma tentativa de enganar o Hamas para libertar reféns. Ibrahim Joudeh afirmou que EUA e Israel sabem que o Hamas dificilmente aceitará as condições, prevendo a continuidade da guerra.
Posicionamento de Israel e detalhes do plano
O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, manifestou apoio ao plano ao lado de Trump, destacando que a proposta visa devolver todos os reféns a Israel, desmantelar o Hamas e garantir que Gaza não represente ameaça futura. Netanyahu alertou que, caso o Hamas rejeite o acordo, Israel buscará eliminar o grupo. Apesar do apoio, Netanyahu resiste à criação de um Estado palestino, posição reiterada em discurso recente na ONU.
Internamente, Netanyahu enfrenta pressão popular pelo fim do conflito e de ministros da coalizão, que temem concessões excessivas. Pesquisas indicam cansaço da população com a guerra e famílias de reféns exigem solução rápida.
Comparação com plano anterior e governança de Gaza
O plano atual difere do acordo de janeiro, que previa libertação escalonada dos reféns e deixava a discussão sobre a governança de Gaza para fases posteriores. Agora, a proposta exige a libertação simultânea dos reféns e a saída imediata do Hamas do governo, com um comitê de transição assumindo a administração. O comitê, formado por palestinos qualificados e especialistas internacionais, seria supervisionado pelo chamado “Conselho da Paz”, liderado por Trump, e responsável pela reconstrução da Faixa de Gaza.
O Hamas e outras facções palestinas estariam excluídos do novo governo, que no futuro transferiria o poder à Autoridade Palestina, condicionada a reformas internas. O plano prevê desmilitarização de Gaza, criação da Força Internacional de Estabilização (ISF) para treinar a nova polícia palestina e retirada gradual das tropas israelenses, com perímetro de segurança mantido até eliminação de ameaças.
Direitos dos palestinos e Estado futuro
Membros do Hamas que entregarem as armas receberiam anistia, podendo permanecer em Gaza ou se estabelecer em outros países com garantias de segurança. Civis são encorajados a permanecer e ajudar na reconstrução, mas podem sair livremente. O plano é vago sobre a criação do Estado palestino, condicionando-o à reconstrução e reformas na Autoridade Palestina. A solução de dois Estados é defendida internacionalmente, mas rejeitada por Israel e criticada por Trump, que vê o reconhecimento prematuro do Estado palestino como recompensa ao terrorismo.
Repercussão e próximos passos
A Autoridade Palestina apoia os esforços dos EUA por um acordo abrangente, reiterando o compromisso com a solução de dois Estados. Recentemente, aliados dos EUA reconheceram o Estado da Palestina para pressionar Israel a resolver a crise humanitária e evitar anexações. O desfecho depende da resposta do Hamas e da capacidade de implementação do plano diante das resistências internas e externas.