O agricultor Chico Peba, de Santa Cruz (PE), dedica-se há décadas à preservação de sementes crioulas, mantendo vivas tradições e a história de sua família no sertão do Araripe.
Em seu armazém, ele apresenta ao g1 uma coleção de grãos nativos e adaptados à região, fundamentais para a cultura local e a segurança alimentar.
As sementes crioulas e sua importância
As sementes preservadas por Chico Peba são chamadas de crioulas ou tradicionais. Elas consistem em grãos nativos ou adaptados ao clima local, desempenhando papel essencial não apenas na alimentação, mas também na manutenção da identidade cultural do sertão do Araripe. Essas sementes carregam significados emocionais e históricos para famílias e comunidades da região.
Variedades preservadas
Dentre as centenas de sementes guardadas, destacam-se o feijão trivicía, presente há gerações na família de Chico Peba, e o feijão andu, também conhecido como feijão guandu. O agricultor também preserva o feijão barrigudo, além de outras espécies como mulungu, milho dente de cavalo, milho ligeiro, milho médio, milho metade roxo metade amarelo, milho branco, mucunã e cabaça.
Adaptação e segurança alimentar
O milho dente de cavalo foi trazido da Bahia e adaptado ao clima do sertão do Araripe, segundo Chico. Já o milho ligeiro, plantado junto ao milho tardio, garante colheita mesmo com variações no regime de chuvas: o ligeiro se desenvolve rápido para aproveitar chuvas precoces, enquanto o tardio oferece segurança caso as chuvas atrasem. O milho médio, por sua vez, apresenta tempo de desenvolvimento intermediário.
Essas estratégias de cultivo mostram como a preservação das sementes crioulas está diretamente ligada à resiliência das famílias agricultoras diante das adversidades climáticas do semiárido.