O dólar iniciou a semana em alta, cotado a R$ 5,45, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar impor uma tarifa adicional de 10% a países alinhados ao Brics. O anúncio, feito no domingo (6), gerou preocupação nos mercados globais e afetou o desempenho do Ibovespa e de bolsas internacionais.
Trump declarou que não haverá exceções para países que sigam “políticas antiamericanas” do bloco. O Brics, por sua vez, divulgou a “Declaração do Rio de Janeiro” defendendo o multilateralismo e criticando ações unilaterais.
Reação dos mercados e impactos econômicos
Na manhã desta segunda-feira (7), o dólar operava em alta de 0,54%, cotado a R$ 5,4533 por volta das 9h20. Na sexta-feira anterior, a moeda americana já havia subido 0,36%, encerrando a R$ 5,4242. O Ibovespa registrou avanço de 0,24% na sexta, atingindo 141.264 pontos, um novo recorde histórico. O índice acumulou alta de 3,21% na semana, 1,73% no mês e 17,44% no ano, enquanto o dólar teve queda acumulada de 1,08% na semana, 0,17% no mês e 12,23% no ano.
O anúncio de Trump, realizado em sua conta na Truth Social, não detalhou quais países seriam afetados nem especificou as “políticas antiamericanas”. A medida foi interpretada como resposta à “Declaração do Rio de Janeiro” do Brics, que defendeu o fortalecimento de instituições multilaterais como a ONU e rejeitou ações unilaterais. A China criticou o uso de tarifas como instrumento de coerção, enquanto a Rússia afirmou que o bloco “nunca atuou contra terceiros”. A África do Sul declarou que o objetivo do grupo é reformar a ordem global, sem intenções de confronto.
Trump também anunciou que os EUA enviarão cartas aos países afetados nesta semana, detalhando as tarifas que entrarão em vigor a partir de 1º de agosto, ampliando o prazo para negociações bilaterais. A União Europeia, Japão, Índia, Coreia do Sul, Indonésia, Tailândia e Suíça buscam acordos para evitar as novas tarifas, que podem variar de 10% a 50%.
A expectativa é que as tarifas elevem preços ao consumidor e custos de produção, pressionando a inflação e podendo forçar o Federal Reserve (Fed) a manter juros altos por mais tempo.
Oscilações nos mercados globais e perspectivas
O clima de incerteza intensificou a volatilidade nos mercados. Analistas apontam que a falta de clareza sobre a política tarifária dos EUA e a ausência de indicadores econômicos relevantes devem manter o vaivém das bolsas nos próximos dias. Investidores aguardam a ata da última reunião do Fed, que pode sinalizar os próximos passos da política de juros americana.
Na Ásia, os índices acionários da China e de Hong Kong fecharam em queda nesta segunda-feira, refletindo o nervosismo dos investidores mesmo após a trégua comercial entre China e EUA. O índice CSI300 caiu 0,43%, enquanto o SSEC, de Xangai, subiu 0,02%. Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 0,12%. Na Europa, o Stoxx 600 operava estável, com bolsas regionais oscilando entre altas e baixas. Nos EUA, os índices futuros registraram leve queda.
No Brasil, o mercado também acompanha a suspensão dos decretos sobre o IOF determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou uma audiência de conciliação entre governo e Congresso Nacional.
O histórico recente mostra que cinco dos dez itens mais exportados pelo Brasil para os EUA tiveram queda nas vendas após a imposição de tarifas anteriores, apesar do saldo geral positivo e recorde em maio. O temor é que novas tarifas prejudiquem ainda mais as exportações brasileiras e aumentem a concorrência internacional.