Em julho de 2024, os preços da carne suína perderam competitividade frente às carnes bovina e de frango, segundo o Cepea. O movimento foi impulsionado pela estabilidade nos valores da proteína suína e quedas nas concorrentes.
Fatores como custos de produção elevados, demanda interna enfraquecida e impactos da gripe aviária influenciaram o cenário. Especialistas apontam que a recuperação pode ocorrer no fim do ano, com aumento da demanda.
Queda na competitividade da carne suína
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a carne suína perdeu espaço no mercado em julho devido à sustentação dos preços da carcaça especial suína, enquanto as carnes bovina e de frango apresentaram quedas em relação a junho. O boletim do Cepea, divulgado em 1º de agosto, destaca que os preços médios da carne de frango caíram pelo terceiro mês consecutivo, embora o movimento de baixa tenha sido menos intenso após restrições comerciais impostas devido à gripe aviária detectada em Montenegro (RS) em maio.
O Cepea indica ainda que os preços da carne suína em julho superaram os registrados no mesmo mês de 2024, em termos reais. Para o suíno vivo, houve aumentos tanto no comparativo mensal quanto anual, impulsionados pela retomada gradual das exportações para países como África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Hong Kong e Vietnã.
Fatores que influenciaram o movimento
A alta dos custos de produção, especialmente com ração, pressionou os preços da carne suína. A demanda interna por carne suína foi mais fraca em comparação a bovina e frango, que tiveram preços mais atrativos. Além disso, a oferta relativamente maior de carne suína contribuiu para a perda de competitividade.
O mercado pecuário, por sua vez, registrou maior liquidez dos negócios de animais para abate, com preços estabilizados e até reajustes positivos. No atacado da Grande São Paulo, os cortes de carne com osso tiveram pequenos aumentos, o que não ocorria desde 18 de junho.
Impactos e perspectivas
Com a perda de competitividade, a carne suína enfrenta dificuldades para ampliar seu consumo no mercado interno. Produtores e comerciantes monitoram o comportamento dos preços para ajustar estratégias. Especialistas afirmam que a recuperação dependerá da estabilização dos custos de produção e da retomada da demanda, além da evolução dos preços das proteínas concorrentes.
Mercado de ovos e gripe aviária
O poder de compra do avicultor paulista diminuiu em julho devido à queda mais acentuada nos preços dos ovos frente aos insumos, como milho e farelo de soja. O preço médio dos ovos brancos tipo extra em Bastos (SP) caiu 9,1% em relação a junho, enquanto os ovos vermelhos recuaram 10,3%.
Apesar da detecção de gripe aviária no sul do Brasil em maio, o Ministério da Agricultura reitera que não há transmissão da doença por consumo de carne de aves e ovos, e o Brasil nunca teve casos em humanos. O país se declarou livre da doença em 18 de junho, após 28 dias sem novos casos em aves comerciais, o que deve favorecer a retirada de bloqueios comerciais.
Desafios previstos
Agosto e setembro são meses críticos para as pastagens, elevando custos de alimentação dos rebanhos. Esse cenário ocorre simultaneamente a preços menores de venda, pressionando ainda mais os produtores.