Pelo menos 72 pessoas morreram em Gaza após ataques aéreos de Israel entre sexta (27) e sábado (28), segundo profissionais de saúde locais.
Entre as vítimas estão crianças e famílias inteiras, atingidas em acampamentos e áreas civis, enquanto negociações para um cessar-fogo ganham força.
A crise humanitária se intensifica, com centenas mortos durante a busca por alimentos e escassez de suprimentos agravando a situação.
Mortes em diferentes regiões e relatos de sobreviventes
Os ataques israelenses atingiram diversas áreas de Gaza, incluindo um acampamento em Muwasi, próximo a Khan Younis, onde três crianças e seus pais morreram enquanto dormiam. Parentes relataram o sofrimento das famílias, e a avó das crianças, Suad Abu Teima, questionou: “O que essas crianças fizeram com eles? Qual é a culpa deles?”.
Outras vítimas foram registradas perto do Estádio Palestino na Cidade de Gaza, onde 12 pessoas morreram, além de oito em apartamentos, segundo funcionários do Hospital Shifa. O Hospital Nasser recebeu mais de 20 corpos, enquanto um ataque ao meio-dia matou 11 pessoas em uma rua no leste da Cidade de Gaza, levadas ao Hospital Al-Ahli. Outro ataque matou oito, incluindo cinco crianças, em uma reunião no leste da cidade, e dois morreram na entrada do campo de refugiados de Bureij, conforme o Hospital Al-Awda.
Negociações e contexto da guerra
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que um acordo de cessar-fogo pode ser alcançado na próxima semana. O ministro israelense de Assuntos Estratégicos, Ron Dermer, viajará a Washington para discutir o tema, além de questões relacionadas ao Irã. As negociações indiretas entre Israel e Hamas seguem desde o rompimento do último cessar-fogo em março, com a continuidade da campanha militar israelense e agravamento da crise humanitária.
Cerca de 50 reféns permanecem em Gaza, menos da metade supostamente ainda viva. Eles fazem parte dos 251 sequestrados no ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023. Yotam Cohen, irmão do refém Nimrod Cohen, questionou: “O que mais resta a fazer em Gaza que ainda não tenha sido feito? Quem mais resta para eliminar?” durante manifestação de familiares.
Números do conflito e agravamento da crise humanitária
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, mais de 56 mil palestinos morreram desde o início da guerra, sendo que mais da metade eram mulheres e crianças. Só após o fim do último cessar-fogo, 6.089 pessoas perderam a vida. Israel afirma mirar apenas militantes e responsabiliza o Hamas pelas mortes civis, alegando que o grupo atua em áreas povoadas.
O Hamas declarou estar disposto a libertar todos os reféns em troca do fim da guerra, enquanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu insiste que o conflito só terminará com o desarmamento e exílio do grupo. Netanyahu enfrenta pressão interna, mas mantém apoio após o recente cessar-fogo com o Irã.
Enquanto isso, a fome se alastra em Gaza. Israel bloqueou alimentos por dois meses e meio, liberando poucos suprimentos desde meados de maio. Mais de 500 palestinos morreram e centenas ficaram feridos tentando obter comida desde que a Fundação Humanitária de Gaza iniciou a distribuição de ajuda há um mês, segundo o Ministério da Saúde. Testemunhas relatam que tropas israelenses atiraram contra multidões nas estradas, enquanto o exército afirma ter disparado apenas tiros de advertência e investiga os incidentes.
Esforços da ONU para entregar alimentos enfrentam saques e tumultos. No sábado, duas pessoas morreram por tiros israelenses enquanto aguardavam ajuda perto do corredor Netzarim. Não houve comentários imediatos das Forças Armadas de Israel sobre o caso.