O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU, Rafael Grossi, afirmou nesta segunda-feira (23) que são esperados danos significativos na instalação nuclear de Fordow, no Irã, após ataque dos EUA.
Grossi pediu acesso imediato às instalações nucleares iranianas para avaliar os danos e verificar possíveis riscos de vazamento radioativo. Os ataques ocorreram em operação coordenada com Israel.
Detalhes dos ataques e repercussão internacional
Os Estados Unidos lançaram uma operação militar contra o Irã no sábado, utilizando 125 aeronaves, mísseis de alta precisão, um submarino e bombas GBU-57, projetadas para destruir áreas subterrâneas. O presidente americano, Donald Trump, classificou a ação como “bem-sucedida”, enquanto a Casa Branca afirmou que as instalações nucleares de Fordow, Natanz e Isfahan sofreram “danos e destruição extremamente severos”.
Imagens de satélite feitas no domingo (22) mostram crateras e detritos na região de Fordow, sugerindo impactos significativos. Segundo Stu Ray, da McKenzie Intelligence Services, as bombas atingiram áreas profundas, o que explica a ausência de grandes danos visíveis na superfície. Entradas de túneis parecem ter sido bloqueadas, possivelmente por tentativa iraniana de mitigar ataques diretos.
A Organização Iraniana de Energia Atômica classificou o bombardeio como “violação bárbara” do direito internacional. Já Hassan Abedini, vice-diretor político da emissora estatal iraniana, afirmou que os materiais nucleares já haviam sido retirados das instalações antes do ataque.
Reações e declarações
O governo russo, por meio do presidente Vladimir Putin, condenou o ataque americano, considerando-o “infundado” e um fator de aumento do risco global. O ministro da Defesa de Israel declarou que o Exército realizou ataques com “força sem precedentes” a símbolos do regime iraniano, incluindo o quartel da Guarda Revolucionária em Teerã. O Irã respondeu com mísseis e drones.
Impactos, vítimas e riscos de radiação
O general americano Dan Caine informou que a avaliação completa dos danos levará tempo, mas já se sabe que as três instalações nucleares iranianas sofreram destruição severa. Não há informações oficiais sobre vítimas nos ataques dos EUA. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, declarou que a missão não visou tropas ou civis iranianos. Abedini, da TV estatal iraniana, afirmou que as instalações estavam evacuadas há algum tempo.
Desde o início do conflito entre Irã e Israel, em 13 de abril, mais de 240 pessoas morreram, segundo dados oficiais, com estimativas independentes chegando a 500 mortos. Sobre riscos de radiação, a Agência Internacional de Energia Atômica e a Arábia Saudita informaram que não houve aumento nos níveis após o ataque, mas a AIEA seguirá monitorando a situação.
Possíveis retaliações do Irã
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que os EUA “devem receber uma resposta pela sua agressão” e reafirmou disposição para negociações dentro do direito internacional. Analistas apontam três cenários para o Irã: retaliação rápida e forte, ataque posterior em momento estratégico ou contenção e busca por via diplomática. O chanceler iraniano reiterou que o país não abandonou negociações, responsabilizando Israel e EUA pelo impasse.
Operação militar e tática dos EUA
O Pentágono revelou que bombardeiros B-2 voaram por 18 horas sem serem detectados, em uma operação que envolveu 125 aeronaves e uso de mísseis GBU-57. Satélites indicam que os EUA miraram dutos de ventilação dos bunkers nucleares, estratégia comparada por internautas a cenas da saga Star Wars.