Economia

Mercado prevê corte da Selic pelo Banco Central apenas em janeiro de 2026

Expectativa é que taxa de juros permaneça em 13,75% até dezembro e só comece a cair no próximo ano

O Banco Central deve iniciar o corte da taxa básica de juros, a Selic, apenas em janeiro de 2026, segundo o boletim Focus divulgado pelo mercado financeiro.

Analistas de mais de 100 instituições financeiras preveem que a Selic ficará em 13,75% até dezembro, começando a cair no início do próximo ano.

A projeção indica cortes graduais ao longo de 2026, refletindo expectativas de inflação mais controlada e estímulo ao crescimento econômico.

Decisão recente e críticas

Na última semana, o Banco Central elevou a Selic para 15% ao ano, o maior patamar em 20 anos e a segunda maior taxa real do mundo. Segundo o BC, “para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”.

A decisão foi criticada pela ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, que considerou o aumento “incompreensível” e classificou o novo patamar como “estratosférico”.

O mercado financeiro, entretanto, prevê manutenção da Selic até dezembro, com redução para 14,75% em janeiro e projeção de 12,50% ao ano para o fim de 2026.

Como funciona a política de juros

A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para conter a inflação, afetando principalmente a população mais pobre. O BC utiliza o sistema de metas para definir os juros, ajustando a Selic conforme as projeções de inflação. O impacto das mudanças na taxa leva de seis a 18 meses para ser sentido na economia.

Atualmente, o BC já mira a meta de inflação para o segundo semestre de 2026. As projeções do mercado para a inflação oficial são de 5,24% em 2025, 4,5% em 2026, 4% em 2027 e 3,83% em 2028, todas acima da meta central de 3%.

Desaceleração econômica e impactos

O hiato do produto, segundo ata do Copom de maio, segue positivo, indicando que a economia opera acima do potencial sem pressionar a inflação. O Banco Central afirma que o patamar elevado dos juros já contribui para a desaceleração da atividade econômica e que o impacto na geração de empregos tende a se aprofundar.

A estratégia do BC é desacelerar o ritmo de crescimento para controlar a inflação, mesmo que isso implique em efeitos negativos sobre o mercado de trabalho.

O cenário de juros altos e inflação acima da meta central indica que cortes só devem ocorrer quando houver maior controle inflacionário, o que, segundo o mercado, deve acontecer a partir de 2026.

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