Economia

Banco Central prevê alta do PIB acima de 2 por cento em 2025 e mantém alerta sobre inflação

Relatório trimestral aponta crescimento econômico, mas projeta inflação acima da meta e preços de alimentos ainda elevados

O Banco Central voltou a prever que o PIB crescerá acima de 2% em 2025, segundo relatório de política monetária do segundo trimestre. A instituição também projeta inflação de 4,9% para este ano, superando o teto da meta estabelecida, e destaca que os preços dos alimentos permanecem altos, apesar de uma desaceleração recente.

Alta dos juros e impacto na economia

A projeção de crescimento menor do PIB em 2024 ocorre em meio a um ciclo de elevação dos juros para conter a inflação. O Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa Selic por sete vezes consecutivas, atingindo 15% ao ano na última semana, o maior patamar em duas décadas. Apesar de sinalizar o fim do ciclo de altas, o Banco Central afirmou que a Selic deve permanecer elevada por um “período bastante prolongado”.

Inflação acima da meta

A estimativa para a inflação oficial em 2025, medida pelo IPCA, caiu de 5,1% em março para 4,9%. Mesmo assim, o índice segue acima da meta de 3%, que é considerada cumprida se variar entre 1,5% e 4,5%. O BC prevê novo estouro da meta em 2025, repetindo o ocorrido em 2024. A probabilidade de ultrapassar o teto caiu de 70% para 68% desde março. Para 2026, a projeção recuou de 3,7% para 3,6%. A autoridade monetária ressalta que a meta deve ser ultrapassada já em junho, devido à adoção do sistema de meta contínua desde o início de 2025.

Variação dos preços dos alimentos

O relatório do Banco Central destaca que os preços dos alimentos ao consumidor desaceleraram em relação aos dois trimestres anteriores, mas continuam elevados. No trimestre encerrado em maio, a alta foi de 2,17%, abaixo dos 3,06% registrados até fevereiro. O recuo no preço da carne bovina ao consumidor foi o principal fator para essa desaceleração, após fortes altas até dezembro. O arroz também apresentou queda, favorecido por uma safra doméstica positiva e redução acentuada nos preços do atacado.

Alimentos industrializados também tiveram desaceleração, mas ainda apresentam variações elevadas. O café moído segue pressionando o segmento, com alta intensa no varejo, embora já haja recuo dos preços do grão no atacado. Por outro lado, alimentos in natura, que vinham registrando variações abaixo do padrão sazonal, tiveram alta relevante no trimestre encerrado em maio, mesmo com a recente acomodação nos preços do ovo de galinha.

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