O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (30) que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, é muito sério e que o cenário de juros altos será corrigido com o tempo.
Lula ressaltou a independência do Banco Central e comentou sobre a taxa Selic, que atingiu 15% ao ano, durante evento de lançamento do Plano Safra no Palácio do Planalto.
O presidente também mencionou que gostaria de juros mais baixos, mas reconheceu que a política monetária não depende apenas do governo.
Independência do Banco Central e política de juros
Durante a cerimônia do Plano Safra para agricultura familiar, Lula destacou que o Banco Central é independente e afirmou confiar na seriedade de Gabriel Galípolo. Ele disse: “Eu gostaria que todos os juros fossem zero, mas ainda não depende da nossa política econômica que não tem muito a ver com a taxação de juros”.
Lula também afirmou: “O Banco Central é independente, o [Gabriel] Galípolo é um presidente muito sério, e eu tenho certeza de que as coisas vão ser corrigidas com o passar do tempo. Nós sabemos o que nós herdamos e nós não queremos ficar chorando o que nós herdamos”.
Contexto recente da Selic
A taxa Selic chegou a 15% ao ano, o maior patamar em 20 anos, após sete aumentos consecutivos promovidos pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. O Copom decidiu manter o ciclo de alta da taxa em 18 de maio. Analistas de instituições financeiras projetam que, a partir de janeiro do próximo ano, o ciclo deve se inverter, iniciando cortes nos juros.
A Selic serve de referência para empréstimos e financiamentos, tornando o crédito mais caro quando está alta. Embora ajude a controlar a inflação, juros elevados tendem a reduzir o crescimento econômico.
Plano Safra e histórico das decisões
Lançamento do Plano Safra
A declaração de Lula ocorreu durante o lançamento do Plano Safra para agricultura familiar no Palácio do Planalto. O programa prevê R$ 78,2 bilhões para financiamentos na temporada 2025-2026, com juros variando de 0,5% a 8% ao ano pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O plano deve movimentar R$ 89 bilhões, incluindo crédito rural, compras públicas, seguro agrícola, assistência técnica e garantia de preço mínimo.
Repercussão política
Nos últimos dois anos, sob presidência de Roberto Campos Neto, Lula criticou a política monetária do Banco Central, alegando que era contrária aos interesses do país. Campos Neto foi indicado por Jair Bolsonaro e apoiou sua reeleição em 2022.
Com a mudança na presidência do BC, Lula demonstra expectativa de que a condução da política monetária seja ajustada gradualmente, sem interferência direta do governo, respeitando a autonomia da instituição.