O Banco Central anunciou nesta terça-feira (24) a suspensão do ciclo de alta da taxa Selic, mantendo-a em 13,75% ao ano. A decisão foi comunicada após reunião do Copom, que também destacou ser prematuro avaliar os efeitos da guerra no Irã sobre o petróleo e a economia global.
A autoridade monetária reforçou que seguirá monitorando os desdobramentos do conflito e seus possíveis impactos na inflação e no crescimento econômico do Brasil.
Decisão do Copom e cenário de juros
Em comunicado divulgado após a reunião do Comitê de Política Monetária, o Banco Central indicou a interrupção do ciclo de aumentos iniciado em 2021 para conter a inflação. A Selic permanece no maior patamar em 20 anos, após sete elevações consecutivas, e representa o segundo maior juro real do mundo. Segundo o BC, os juros devem seguir elevados por um “período bastante prolongado” para garantir a convergência da inflação à meta. O mercado financeiro projeta início da queda da Selic apenas em janeiro de 2026.
O BC explicou: “Após um ciclo rápido e firme de elevação de juros, antecipa-se, como estratégia de condução de política monetária, interromper o ciclo de alta e observar os efeitos do ciclo empreendido para, então, avaliar se a taxa de juros corrente é apropriada para assegurar a convergência da inflação à meta”.
Impactos da guerra no Irã e incertezas globais
Sobre o conflito no Oriente Médio, o BC afirmou ser cedo para medir o impacto sobre a economia doméstica, que pode ser menos afetada por tarifas, mas ainda sofre com um cenário global adverso. Analistas apontam risco de pressões inflacionárias devido à alta do petróleo, que pode ser repassada aos combustíveis no Brasil. O BC destacou que o cenário externo permanece “adverso e particularmente incerto”, com mudanças nas decisões de investimento e consumo já observadas.
O Comitê reforçou que continuará acompanhando os desdobramentos do conflito para ajustar a política monetária conforme necessário.
Como funciona a atuação do Banco Central
A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para controlar a inflação, afetando principalmente a população mais pobre. Suas decisões são baseadas no sistema de metas e nas projeções futuras de inflação, pois mudanças na Selic levam de seis a 18 meses para impactar a economia.
Atualmente, o BC mira a meta de inflação para o segundo semestre de 2026. As projeções do mercado para a inflação oficial são de 5,24% em 2025, 4,5% em 2026, 4% em 2027 e 3,83% em 2028, todas acima da meta central de 3%.
Desaceleração econômica e mercado de trabalho
O BC admite que a desaceleração da economia faz parte da estratégia de combate à inflação. A instituição observa sinais de moderação no crescimento e acredita que os efeitos da política monetária restritiva devem se aprofundar nos próximos trimestres. Apesar disso, o mercado de trabalho segue dinâmico, com geração de empregos formais e redução do desemprego, embora haja desaceleração nos rendimentos.
Política fiscal e riscos
O BC avalia que a política fiscal, especialmente os gastos públicos, tem impacto direto na economia e pode influenciar os juros futuros. O Comitê defende políticas previsíveis e harmônicas entre fiscal e monetária, alertando que o enfraquecimento das reformas e incertezas sobre a dívida pública podem elevar a taxa de juros neutra e dificultar o controle da inflação.