Mahmoud Khalil, estudante da Universidade de Columbia, foi libertado após ser preso em março por participar de protestos contra a guerra na Faixa de Gaza. O governo Trump buscava sua deportação, alegando que estrangeiros em protestos semelhantes têm posicionamento antissemita. O juiz federal Michael Farbiarz considerou incomum manter detido um residente legal sem acusações de violência ou risco de fuga.
Nascido na Síria e filho de palestinos, Khalil possui residência permanente nos Estados Unidos. Após sua prisão, ele foi transferido para a Louisiana, distante quase 2.000 km da Universidade de Columbia, onde estuda. O caso ganhou repercussão porque o governo Trump insistiu na deportação do estudante, justificando que não cidadãos americanos que participam de protestos pró-palestinos demonstram posturas antissemitas e deveriam ser expulsos do país.
O juiz Michael Farbiarz, de um tribunal federal de Nova Jersey, destacou que seria “muito, muito incomum” manter detido um residente legal sem histórico de violência ou risco de fuga. Mesmo assim, o governo insistiu em ignorar decisões judiciais favoráveis a Khalil.
Desrespeito a decisões judiciais
No início de junho, o governo Trump já havia ignorado uma ordem do mesmo juiz, que proibia a detenção ou expulsão de Khalil baseada em declarações do secretário de Estado, Marco Rubio. Rubio havia classificado o estudante como ameaça aos Estados Unidos, argumento rejeitado pelo tribunal.
A transferência de Khalil para a Louisiana após sua prisão também foi vista como tentativa de dificultar seu acesso à defesa e à imprensa. O episódio expôs tensões entre o Judiciário e o Executivo quanto ao tratamento de residentes legais envolvidos em protestos políticos.