Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, apoiou a decisão do Copom de elevar a Selic para 15% ao ano, maior nível em quase vinte anos.
Campos Neto afirmou nesta quinta-feira (19) que teria feito o mesmo ajuste, justificando a medida como necessária para recuperar a credibilidade e controlar as expectativas de inflação.
A decisão do Copom foi tomada diante do avanço das expectativas inflacionárias, que se afastavam da meta do Conselho Monetário Nacional.
O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, saiu em defesa da diretoria do BC após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a taxa básica de juros para 15% ao ano. A medida, anunciada nesta quinta-feira (19), representa o maior patamar da Selic em quase duas décadas.
Durante o governo Lula, Campos Neto foi alvo de críticas por manter os juros elevados. Agora, ele endossa a decisão dos ex-colegas e afirma: “Eu teria feito a mesma coisa. Acho que o ganho de credibilidade frente ao custo monetário era claramente favorável a este último ajuste, dada a necessidade de reverter as expectativas desancoradas”.
O comunicado do Copom justificou o aumento da Selic como resposta ao avanço das expectativas de inflação, que vinham se distanciando da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. O órgão considerou a medida essencial para conter a deterioração do cenário inflacionário.
Campos Neto, que presidiu o Banco Central entre 2019 e 2024, vinha evitando comentários públicos nos últimos meses, mas decidiu se manifestar após o anúncio do Copom.
Apesar das críticas recebidas durante sua gestão, especialmente durante o governo Lula, Campos Neto destacou que sua postura se mantém baseada na honestidade intelectual. Ele afirmou que não usaria o aumento da Selic para reivindicar razão diante das críticas passadas, reforçando que sua decisão seria a mesma dos atuais dirigentes do Banco Central.
O ex-presidente do BC ressaltou que a credibilidade da política monetária é fundamental para ancorar as expectativas do mercado. Segundo ele, o ajuste promovido pelo Copom era necessário diante do cenário de expectativas desancoradas, mesmo considerando o custo monetário envolvido.
O aumento da Selic para 15% ao ano reacende o debate sobre o papel do Banco Central na condução da política de juros e sua autonomia frente a pressões políticas. A decisão do Copom segue repercutindo entre economistas e agentes do mercado, que avaliam os impactos sobre a inflação e o crescimento econômico.