O deputado federal José Guimarães (PT-CE) toma posse nesta terça-feira (14) como ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), a pasta encarregada de costurar a relação do Palácio do Planalto com o Congresso Nacional.
Guimarães substitui Gleisi Hoffmann, que deixou o cargo no início do mês para disputar uma vaga no Senado pelo Paraná. É o terceiro nome à frente da SRI no atual mandato de Lula — antes de Gleisi, Alexandre Padilha ocupou o posto até migrar para o Ministério da Saúde.
A Secretaria de Relações Institucionais ocupa posição estratégica no governo: é ela que negocia propostas de interesse do Executivo e constrói a maioria parlamentar necessária para as votações. Em ano eleitoral, o desafio se intensifica.
O governo Lula tenta avançar em pautas de apelo popular, com destaque para o fim da escala 6×1. O governo planeja enviar ainda esta semana o projeto de lei que extingue a escala 6×1, em regime de urgência constitucional — e essa será a primeira missão concreta de Guimarães à frente da pasta.
A relação com o Legislativo, no entanto, segue como um dos principais nós do Planalto. Com uma maioria formada por parlamentares de oposição, Lula enfrenta resistências desde o início do mandato.
Desgaste e tentativa de reconstrução
Em 2024, a tensão entre Executivo e Legislativo atingiu um ponto crítico. À frente da SRI, Alexandre Padilha protagonizou embates com o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que chegou a declarar publicamente que o ministro era “desafeto pessoal” e “incompetente”. O estopim foi a atuação do governo para que aliados votassem pela manutenção da prisão do deputado Chiquinho Brazão (sem partido-RJ), envolvido no caso Marielle Franco — movimento interpretado por Lira como interferência indevida do Executivo no Legislativo.
Gleisi Hoffmann chegou à SRI com a missão de baixar a temperatura. Sua gestão teve tom mais moderado: manteve a defesa das pautas do governo, mas adotou postura de maior abertura com deputados e senadores. A entrada de Guimarães na SRI é o capítulo mais recente da maior reforma ministerial pré-eleitoral da história recente do país, que em abril registrou 17 saídas do primeiro escalão.
Guimarães não é estreante na disputa pela SRI. No ano passado, quando Padilha deixou o cargo, o nome do deputado cearense chegou a despontar como favorito — mas acabou descartado. A avaliação no Planalto e no PT era de que Lula queria alguém de estrita confiança pessoal, e Gleisi ficou à frente do colega de Câmara.
Agora, com Gleisi na disputa eleitoral, o presidente aposta em um nome com trânsito consolidado no Legislativo. Em discursos recentes, Lula citou a aprovação da Reforma Tributária e a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais como exemplos de sua disposição ao diálogo institucional — narrativa que Guimarães deverá reforçar nas negociações com o Congresso.
A nomeação abriu uma vaga na liderança do governo na Câmara. O posto foi preenchido por Paulo Pimenta (PT-RS), que chega ao cargo em seu sexto mandato como deputado federal. O novo ministro terá como principal interlocutor Hugo Motta (Republicanos-PB), atual presidente da Câmara dos Deputados, com quem o governo precisará negociar a pauta prioritária deste ano eleitoral.
