O governo federal demitiu nesta segunda-feira (13) Gilberto Waller da presidência do INSS. No lugar dele, assume Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira do instituto há mais de duas décadas.
A mudança foi anunciada em nota oficial. Waller havia sido nomeado em 30 de abril de 2025, em meio ao escândalo de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas — um dos maiores esquemas de fraude já investigados na Previdência Social.
Waller assumiu a presidência do INSS uma semana após a Polícia Federal deflagrar uma operação que revelou um esquema bilionário de desvios. O mecanismo envolvia descontos não autorizados diretamente nos benefícios de segurados, vitimando aposentados e pensionistas em todo o país.
A nova presidente tem raízes profundas no instituto. Ana Cristina Viana Silveira é graduada em Direito e integra os quadros do INSS desde 2003, no cargo de Analista do Seguro Social. Entre 2020 e 2024, também atuou como professora de Direito Previdenciário.
Na trajetória de gestão, ela presidiu o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) de abril de 2023 a fevereiro de 2026, quando foi nomeada secretária-executiva adjunta do Ministério — cargo que ocupava antes de assumir o comando do órgão.
A troca de liderança ocorre semanas após a comissão parlamentar que investigou o escândalo concluir seus trabalhos pedindo o indiciamento de mais de 220 pessoas ligadas ao esquema de descontos indevidos. A CPI do INSS votou seu relatório final após o STF barrar uma tentativa de prorrogação dos trabalhos.
A gestão da crise mobilizou o Palácio do Planalto de forma intensa nos últimos meses. O forte engajamento do governo na condução política do escândalo já havia ficado evidente antes: Lula exonerou um ministro para garantir maioria favorável na votação do relatório final da CPMI do INSS.
A nomeação de uma servidora de carreira para o topo do órgão pode ser lida como um aceno de tecnicidade em um momento em que o instituto ainda sofre os reflexos do maior esquema de fraudes de sua história. Ana Cristina Viana Silveira chega ao cargo sem histórico de exposição política direta, o que pode contribuir para a tentativa de recomposição da imagem institucional do INSS perante os segurados.
A reportagem está em atualização.
