O dólar abriu em queda nesta sexta-feira (17), recuando 0,16% para R$ 4,9842, com investidores reagindo ao cessar-fogo temporário entre Israel e Líbano, que entrou em vigor na véspera.
O acordo de 10 dias, anunciado pelo Departamento de Estado dos EUA, suspende os confrontos e abre caminho para negociações de paz permanente entre os dois países.
Mas a trégua já enfrenta seu primeiro teste: o Líbano acusou Israel de violá-la ainda nesta sexta, expondo a fragilidade do entendimento.
O cessar-fogo foi firmado com mediação americana e prevê uma pausa inicial de 10 dias nos confrontos. O Departamento de Estado informou que o prazo pode ser ampliado se as partes chegarem a consenso durante as negociações em curso.
O presidente libanês, Joseph Aoun, classificou os entendimentos diretos com Israel como “delicados e cruciais”, reafirmando que a prioridade imediata do governo é garantir que a trégua seja respeitada — mesmo após a acusação de violação registrada horas depois do anúncio.
Donald Trump celebrou o avanço nas redes sociais na noite de quinta-feira (16), afirmando que o momento “pode ter sido um dia histórico para o Líbano” e que “coisas boas estão acontecendo”.
Paris debate reabertura do Estreito de Ormuz
Paralelamente, líderes da França e do Reino Unido reuniram dezenas de países na capital francesa para discutir a reabertura do Estreito de Ormuz, bloqueado desde o acirramento do conflito envolvendo EUA, Israel e Irã. Os EUA não integram o planejamento da chamada Iniciativa de Liberdade de Navegação Marítima.
Emmanuel Macron afirmou que a missão terá caráter “estritamente defensivo” e só avançará “quando as condições de segurança permitirem”. O encontro reúne nações que não participam diretamente da guerra, mas que buscam conter os danos econômicos globais do conflito.
A iniciativa tem raízes no cessar-fogo entre EUA e Irã anunciado em 8 de abril, que pela primeira vez incluiu a reabertura temporária da passagem estratégica e abriu as negociações em Islamabad.
Bolsas globais operam com cautela
Em Wall Street, os índices futuros apontavam alta moderada na manhã desta sexta. Os contratos do Dow Jones subiam 0,32%, os do S&P 500 avançavam 0,19% e o Nasdaq registrava alta de 0,1%, indicando possibilidade de fechamento semanal positivo nas bolsas americanas.
Na Europa, o desempenho era misto: o francês CAC 40 avançava 0,4% e o alemão DAX ganhava 0,6%, enquanto o britânico FTSE 100 recuava 0,2%. O índice pan-europeu STOXX 600 subia levemente, 0,08%.
Na Ásia, a maioria das praças fechou em baixa. O japonês Nikkei caiu 1,8%, para 58.475,90 pontos, um dia após atingir recorde histórico. O Hang Seng de Hong Kong recuou 0,9%, o índice de Xangai cedeu 0,1% e o sul-coreano Kospi perdeu 0,6%.
O alívio no câmbio brasileiro contrasta com a cautela asiática. Na véspera, com o cessar-fogo entre EUA e Irã prestes a expirar e Trump ordenando o envio de mais de 10 mil militares à região, o mercado já operava sob forte tensão — o que torna a trégua Israel-Líbano o principal fator de distensão desta sessão.
Ao longo do dia, dirigentes do Federal Reserve participam de aparições públicas: a presidente do Fed de San Francisco, Mary Daly, e o presidente do Fed de Richmond, Tom Barkin, fazem eventos que podem balizar as expectativas sobre a política monetária americana.
