A Microsoft anunciou seu primeiro plano de demissão voluntária (PDV) em 51 anos de existência, voltado a funcionários veteranos nos Estados Unidos. O programa pode atingir cerca de 8 mil profissionais — equivalente a 7% da força de trabalho americana da companhia.
O anúncio foi revelado pelo jornal Financial Times com base em memorando interno da diretora de recursos humanos, Amy Coleman. A Microsoft se recusou a comentar oficialmente.
O critério de elegibilidade combina idade do funcionário com o tempo de casa: apenas quem atingir 70 anos nessa soma pode aderir ao programa. Com 125 mil empregados nos EUA, a empresa identificou aproximadamente 8 mil pessoas nessa condição.
Em memorando obtido pelo Financial Times, Coleman apresentou o PDV como uma oportunidade de escolha — não de imposição. “Muitos desses funcionários passaram anos, e em alguns casos décadas, ajudando a moldar a Microsoft no que é hoje”, escreveu a executiva, acrescentando que a companhia oferecerá apoio “generoso” a quem optar pela saída.
No mesmo dia, a Meta informou internamente que vai demitir cerca de 8 mil funcionários — 10% de sua força de trabalho global — e cancelar outras 6 mil vagas ainda não preenchidas. O Tropiquim detalhou os bastidores desse corte na Meta, que também está atrelado à disputa pelo desenvolvimento de inteligência artificial.
Onda de cortes marca o setor de tecnologia em 2026
A coincidência de anúncios entre Microsoft e Meta não é isolada. A Oracle também eliminou milhares de postos no início do ano, redirecionando recursos para infraestrutura de inteligência artificial — o mesmo argumento usado pela Meta em seu comunicado interno.
Na Meta, a diretora de RH Janelle Gale afirmou que os cortes fazem parte dos esforços para “gerir a empresa de forma mais eficiente e compensar os investimentos” em IA, mercado em que a companhia disputa posição crescente frente a concorrentes como Google, Amazon e a própria Microsoft.
A opção da Microsoft pelo modelo voluntário — em vez de demissões compulsórias — é inédita na empresa e representa uma abordagem distinta de gestão da transição. Ainda assim, a escala do programa e a pressão por eficiência colocam a companhia no mesmo movimento de reestruturação que remodela as maiores empresas de tecnologia do mundo.
