Política

EUA iniciam bloqueio naval ao Irã e petróleo Brent passa de US$ 100

Negociações fracassaram no ponto nuclear; Centcom delimita que restrição vale apenas para navios com destino a portos iranianos
Bloqueio naval EUA contra portos iranianos no Estreito de Ormuz dispara preço do petróleo

As Forças Armadas dos EUA anunciaram o início de um bloqueio naval aos portos iranianos a partir das 11h desta segunda-feira (13), no horário de Brasília, horas depois de as negociações de paz entre Washington e Teerã fracassarem em Islamabad, no Paquistão.

O petróleo reagiu de imediato: o barril Brent ultrapassou US$ 100, com alta superior a 7%, aprofundando a pressão sobre cadeias globais de abastecimento que já operam com 95% menos tráfego pelo Estreito de Ormuz desde o início do conflito.

O Comando Central dos EUA (Centcom) fez uma distinção que limita o alcance da medida: a restrição se aplica apenas a navios com destino a portos iranianos — embarcações rumo a “portos não iranianos” não serão interceptadas no estreito.

Nas redes sociais, Trump havia ido além, afirmando que instruiu a Marinha a “procurar e interceptar toda embarcação em águas internacionais que tenha pago um pedágio ao Irã” para transitar por Ormuz. “Ninguém que pague um pedágio ilegal terá passagem segura no alto-mar”, declarou, acrescentando que “qualquer iraniano que atirar contra nós será explodido até o inferno”.

O bloqueio naval desta segunda é o desdobramento de uma escalada que começou há uma semana, quando Trump fixou prazo para a reabertura do estreito e ameaçou destruir usinas e pontes iranianas — ultimato que Teerã ignorou.

Em resposta, as Forças Navais da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) advertiram que qualquer embarcação militar que se aproxime do estreito será considerada em violação do cessar-fogo e “tratada severamente”. Em comunicado, Teerã afirmou que Ormuz está “aberto para a passagem inocente de embarcações não militares”, sob “gestão e regulamentos específicos” iranianos.

Impacto real do bloqueio pode ser limitado

Para especialistas, o efeito prático da medida americana é restrito. Lars Jensen, diretor-executivo da Vespucci Maritime, avalia que “são pouquíssimos navios que passam” pelo estreito atualmente. “Ainda menos são os que pagam pedágio ao Irã, e aqueles que pagam já estarão sujeitos a sanções americanas”, afirma.

O sistema de pedágios que Trump agora mira já havia sido anunciado pelo líder supremo Khamenei na semana passada, quando o Irã declarou que o estreito entraria em uma “nova fase” — e apenas seis navios cruzavam a passagem diariamente. Cada pedágio era estimado em cerca de US$ 2 milhões (R$ 10 milhões).

Negociações nucleares travam em Islamabad

O bloqueio foi anunciado horas depois de Trump revelar o fracasso das conversas conduzidas pelo vice J.D. Vance no Paquistão. Após “quase 20 horas” de reuniões, o presidente americano afirmou que “há apenas uma coisa que importa — o Irã não está disposto a abrir mão de suas ambições nucleares”. Mesmo assim, Trump declarou que “prevê” que Teerã “volte e nos dê tudo o que queremos”.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que liderou a delegação de Teerã, disse que o momento exige que os EUA decidam “se podem conquistar nossa confiança ou não”. Ele afirmou que o Irã levou “boa-fé” às negociações, mas não tem “nenhuma confiança no lado oposto” após duas guerras anteriores. “Essas ameaças não têm efeito sobre os iranianos”, acrescentou, respondendo diretamente a Trump.

Por que Ormuz importa para o Brasil

Antes do conflito, cerca de 20% de todo o petróleo consumido no planeta passava pelo Estreito de Ormuz, além de gás natural liquefeito e fertilizantes essenciais para a agricultura brasileira. O volume diário de embarcações caiu de aproximadamente 130 para cinco ou seis — redução de 95%.

Desde o cessar-fogo anunciado em 7 de abril, ao menos 60 navios cruzaram o estreito — média de 10 por dia —, volume ainda muito abaixo dos 138 registrados antes da guerra, segundo o Joint Maritime Information Centre. Quase 90% do petróleo que passa por ali segue para a Ásia, com a China recebendo cerca de 38% do total.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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