Política

Irã promete retaliação e petróleo bate US$ 110 com ultimato de Trump

Teerã chama ameaça de 'estúpida e desesperada' enquanto Brent sobe e conflito se alastra no Golfo
Colagem editorial mostrando petróleo subindo com ultimato Trump ao Irã no Golfo Pérsico

O barril de petróleo Brent atingiu US$ 110 nesta segunda-feira (6), pressionado pelas ameaças do presidente americano Donald Trump de atacar pontes e usinas de energia do Irã caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto.

O Irã rejeitou o ultimato e prometeu retaliação. O general Ali Abdollahi Aliabadi, do comando militar central iraniano, classificou a ameaça como “desesperada, nervosa e estúpida” — e advertiu que “os portões do inferno se abrirão” para Trump.

Trump fixou o prazo para terça-feira (7/4), às 20h no horário de Washington — 21h de Brasília e 3h30 de quarta-feira em Teerã.

Ultimato com linguagem agressiva e prazo fixado

Em publicação no Truth Social repleta de palavrões, Trump ameaçou ataques coordenados: “Terça-feira será o Dia da Usina Elétrica e o Dia da Ponte, tudo junto, no Irã. Abram o maldito Estreito, seus bastardos loucos, ou vocês viverão no inferno.”

Ao Wall Street Journal, Trump disse que o Irã “perderá todas as usinas de energia e todas as outras instalações que possui em todo o país” se insistir no bloqueio. À Fox News, afirmou considerar “explodir tudo e tomar o controle do petróleo” iraniano — mas também disse haver “boa chance” de um acordo já na segunda-feira.

Este não é o primeiro ultimato ao regime dos aiatolás. O americano já havia ameaçado atacar o Irã vinte vezes mais forte caso o estreito fosse bloqueado — ameaça que Teerã ignorou e que agora escalou para alvos de infraestrutura civil.

Irã contra-ataca no discurso e no campo de batalha

O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que “as ações imprudentes de Trump estão arrastando os EUA para um inferno na Terra” e acusou o americano de seguir ordens do premier israelense Benjamin Netanyahu. “Não se enganem: vocês não ganharão nada com crimes de guerra”, acrescentou.

Na última quinta-feira (2/4), os EUA já haviam atacado uma ponte em construção em Karaj, a oeste de Teerã — movimento interpretado por analistas como ampliação dos alvos americanos. No domingo, ataques conjuntos de EUA e Israel atingiram o Aeroporto Internacional Qasem Soleimani, no sudoeste do Irã.

Israel também atacou uma instalação petroquímica iraniana no sábado (4/4) e aguarda autorização americana para novos ataques a usinas de energia nesta semana, segundo autoridades de defesa.

Mercados em alta e riscos globais de inflação

O Brent chegou a US$ 110,85 antes de recuar nas negociações da manhã asiática. As bolsas da região também avançaram: o Nikkei 225 do Japão subiu 1,6% e o Kospi da Coreia do Sul teve alta de 0,9%.

O bloqueio do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial e um terço do comércio global de fertilizantes — representa risco direto de inflação em cascata. O volume de navios, habitualmente 3 mil por mês, caiu drasticamente desde o início do conflito em fevereiro.

O cenário de alta dos preços já vinha se desenhando antes deste ultimato: o próprio Irã chegou a ameaçar o petróleo a US$ 200 o barril enquanto atacava navios no Golfo Pérsico. E o mercado já provou ser sensível a cada declaração do conflito: numa única sessão, o barril disparou 30% e despencou no mesmo dia após Trump afirmar que a guerra estava “praticamente concluída”.

O Irã também expandiu os ataques além de Israel: drones iranianos causaram incêndio em instalação petroquímica em Abu Dhabi, danificaram infraestrutura de petróleo no Kuwait e alvejaram instalações industriais no Bahrein. Em Haifa, um prédio residencial foi atingido por míssil balístico no domingo, deixando quatro feridos.

A secretária-geral da Anistia Internacional, Agnes Callamard, criticou as ameaças de Trump à infraestrutura civil: “Os civis iranianos serão os primeiros a sofrer com a destruição de usinas de energia e pontes. Sem eletricidade, aquecimento ou água; sem poder fugir dos ataques. Potencial para uma série de crimes de guerra em cascata.” Mais de 100 especialistas em direito internacional assinaram carta aberta de “profunda preocupação” sobre violações do direito internacional pelos três países envolvidos — documento descartado pela Casa Branca.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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