O Irã voltou a ameaçar fechar o Estreito de Ormuz nesta sexta-feira (17), desta vez em resposta à recusa de Donald Trump de retirar o bloqueio naval norte-americano da rota — mesmo após Teerã anunciar a reabertura total da passagem.
A declaração foi feita por uma autoridade iraniana à agência Fars e reacende a tensão em torno de uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, passagem obrigatória de cerca de 20% do petróleo global.
Em post na rede Truth Social, Trump afirmou que só retirará suas tropas da rota após as negociações com o Irã estarem “100% concluídas”, mas garantiu que o estreito “está completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego”.
A agência Fars reproduziu a declaração no Telegram com um print da publicação e classificou a postura do presidente americano como “chantagem” — virada de tom abrupta no já frágil processo de paz entre os dois países.
A reabertura do Estreito de Ormuz era uma das principais reivindicações dos Estados Unidos nas conversas por um acordo, mediadas pelo Paquistão. Horas antes da ameaça iraniana, Teerã havia anunciado a reabertura total do estreito — gesto que Trump recusou aceitar como condição suficiente para retirar suas tropas da rota.
No início desta sexta-feira, os líderes da França, Emmanuel Macron, e do Reino Unido, Keir Starmer, reuniram representantes de dezenas de países para debater planos de reabertura do estreito — sem a presença dos Estados Unidos. A reunião evidencia o isolamento diplomático americano em torno da questão e a pressão crescente da comunidade internacional por uma saída negociada.
O Estreito de Ormuz, que separa o Irã de Omã e dos Emirados Árabes Unidos, é o gargalo logístico do Golfo Pérsico. Qualquer fechamento tem efeito imediato sobre os mercados globais de energia e a cadeia de abastecimento de petróleo.
O bloqueio naval norte-americano no Estreito de Ormuz, decretado na segunda-feira (13), foi o estopim da tensão atual — na ocasião, o próprio Irã já havia ameaçado atacar portos nos Golfos Pérsico e do Omã em retaliação.
