Economia

Trump reformula tarifas de aço e pode encarecer importações

Nova proclamação muda a base de cálculo e passa a tributar o valor total dos produtos, não apenas o conteúdo metálico
Retrato de Donald Trump em composição editorial sobre tarifas Trump em aço e alumínio

A Casa Branca publicou nesta quinta-feira (2) uma proclamação presidencial que reformula as tarifas americanas sobre produtos com aço, alumínio e cobre. A medida reduz alíquotas em alguns casos, mas pode encarecer diversas importações.

O motivo está na mudança da base de cálculo: a cobrança passa a incidir sobre o valor total dos bens importados, e não apenas sobre o conteúdo metálico de cada produto — o que amplia o impacto real dos tributos para importadores.

Como funcionam as novas regras

Pela proclamação, produtos que contenham mais de 15% do peso total em aço, alumínio ou cobre passam a ter alíquota de 25% calculada sobre o valor integral da mercadoria. Máquinas de lavar e fogões a gás feitos majoritariamente de aço, por exemplo, passam a ter alíquota fixa de 25% — enquanto parte desses itens chegava a enfrentar 50% anteriormente.

O objetivo declarado é simplificar um regime considerado excessivamente complexo, que dificultava calcular o valor metálico em milhares de produtos: de peças de tratores a pias de aço inoxidável e equipamentos ferroviários. As tarifas são aplicadas com base na Seção 232 da Lei de Expansão do Comércio de 1962, que autoriza restrições às importações por razões de segurança nacional.

A reformulação é resposta direta ao revés judicial de fevereiro, quando a Suprema Corte derrubou as tarifas anteriores e um juiz federal ordenou que a Alfândega americana reembolsasse bilhões de dólares a importadores.

O Wall Street Journal avaliou que, apesar da redução nominal de alíquotas em determinados produtos, a ampliação da base de cálculo pode resultar em custo maior para os importadores — beneficiando a arrecadação federal mais do que aliviando a carga sobre o setor produtivo.

A expectativa de receita mais alta se apoia em histórico recente: um estudo do Brookings Institution mostrou que as tarifas de 2025 renderam US$ 264 bilhões ao governo federal, com 80% a 100% do custo repassado aos consumidores americanos.

Sem a base legal anterior, o governo Trump tem recorrido a novos instrumentos jurídicos — como as investigações pela Seção 301 abertas contra 16 países em março — para reconstruir o arcabouço tarifário derrubado pela Suprema Corte. Em paralelo, o republicano também usou a Seção 122 da legislação comercial dos EUA para impor uma tarifa global de 10% sobre todos os produtos importados, ampliando o alcance das restrições além dos metais.

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