O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (9) a imposição de uma tarifa de 50% sobre todas as importações de cobre. A medida entra em vigor em 1º de agosto, alinhando o cobre à alíquota já aplicada ao aço e ao alumínio desde junho.
O cobre é fundamental para setores como veículos elétricos, equipamentos militares e bens de consumo, e a decisão impacta diretamente países como Chile, Canadá e México, principais exportadores do metal para os EUA em 2024.
Impacto nos principais parceiros comerciais
Segundo dados do Censo norte-americano, Chile, Canadá e México são os maiores fornecedores de cobre refinado, ligas e produtos de cobre aos Estados Unidos em 2024. Todos os três países possuem acordos de livre comércio com Washington e já comunicaram à administração Trump que suas exportações não representam ameaça aos interesses norte-americanos, argumentando contra a aplicação das tarifas.
Na terça-feira, após o anúncio da nova tarifa, o Chile — maior produtor global de cobre — declarou, por meio do Ministério das Relações Exteriores, que ainda não recebeu comunicação oficial do governo dos EUA sobre a implementação da medida.
Contexto da tarifa
A tarifa de 50% sobre o cobre equipara o metal à taxa já praticada sobre o aço e o alumínio desde 4 de junho. O novo imposto faz parte do tarifaço global, que havia sido temporariamente suspenso por Trump e agora será retomado a partir de agosto.
Especialistas alertam para possíveis consequências da medida. Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank, afirmou que as empresas americanas que dependem do cobre podem ser impactadas, uma vez que os EUA estão longe de suprir sua própria demanda pelo metal.
Hansen observou que “os EUA importaram toda a demanda de um ano nos últimos seis meses. Então, os níveis locais de estoque estão amplos”. Apesar disso, ele prevê uma correção nos preços do cobre após o salto inicial causado pela notícia da tarifa.
O cenário sugere que, mesmo com estoques elevados no curto prazo, a dependência de importações pode pressionar a indústria nacional caso a tarifa se mantenha por períodos prolongados.