Economia

Trump impõe novas tarifas e setores industriais e agrícolas do Brasil são os mais prejudicados

Medidas dos EUA afetam aço, alumínio, agronegócio e podem desencadear guerra comercial com impacto direto no emprego e exportações brasileiras

O governo dos Estados Unidos anunciou novas tarifas sobre produtos brasileiros, com taxas entre 20% e 50%, válidas a partir de 1º de agosto. Setores como aço, alumínio e agronegócio serão os mais afetados. O anúncio foi feito por Donald Trump em carta a Luiz Inácio Lula da Silva na quarta-feira (9), gerando preocupação sobre possíveis retaliações e agravamento das relações comerciais entre os dois países.

Setores mais impactados pelas tarifas

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos atingem principalmente os setores de aço, alumínio e produtos agrícolas brasileiros, como soja e carne bovina. O aumento nos custos de exportação reduz a competitividade dessas indústrias no mercado americano, ameaçando empregos e receitas de empresas exportadoras.

Segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), as exportações brasileiras para os EUA atingiram US$ 16,7 bilhões nos primeiros cinco meses do ano, um recorde para o período. O agronegócio e a indústria de transformação são os principais responsáveis por esse resultado, com destaque para carnes, sucos, café e aeronaves.

Consequências econômicas

Especialistas alertam que as tarifas podem provocar queda nas exportações, afetando negativamente a geração de empregos e a massa salarial. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que, em 2024, cada R$ 1 bilhão exportado ao mercado americano gerou 24,3 mil empregos e R$ 3,2 bilhões em produção no Brasil.

Produtos como celulose, ferro-gusa e equipamentos de engenharia já sentem retração nas vendas devido à tarifa de 10% vigente desde abril, agravada pela concorrência de países com acesso preferencial, como o Canadá. Setores de aço e alumínio, já sujeitos a tarifas de 50%, enfrentam possível declínio nos embarques aos EUA.

Reações e perspectivas

O governo brasileiro busca diálogo com os EUA para tentar reverter as tarifas e proteger os setores prejudicados, avaliando também medidas internas para apoiar as indústrias afetadas e estimular a competitividade internacional.

O cenário de guerra comercial se intensifica, com o governo brasileiro sugerindo retaliações e Trump prometendo novas tarifas em resposta. A Amcham Brasil destaca que, mesmo com aumento das tarifas, o comércio bilateral mostrou resiliência, com crescimento nas trocas e recorde de exportações.

Segundo a CNI, os EUA mantêm superávit comercial com o Brasil há mais de 15 anos, e o setor de insumos produtivos, responsável por 61,4% das exportações brasileiras, é o mais vulnerável. A entidade reforça que não há justificativa econômica para medidas tão severas e alerta para prejuízos à indústria nacional, fortemente integrada ao sistema produtivo americano.

A tarifa real de importação do Brasil para produtos americanos era de 2,7% em 2023, bem abaixo da tarifa nominal de 11,2% registrada na Organização Mundial do Comércio (OMC), o que evidencia a assimetria nas barreiras comerciais entre os países.