O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na segunda-feira (1º de junho) uma proclamação que modifica as tarifas de importação aplicadas sob a Seção 232 — mecanismo federal usado para taxar produtos considerados estratégicos à segurança nacional americana.
A medida reduz de 25% para 15% as alíquotas sobre determinados equipamentos agrícolas e sistemas residenciais de climatização que utilizam aço ou alumínio. As novas regras entram em vigor em 8 de junho e vigoram até 31 de dezembro de 2027.
A proclamação estabelece alíquotas diferenciadas conforme o tipo de produto e a origem. Equipamentos industriais móveis — como escavadeiras e empilhadeiras — importados de países com acordos comerciais vigentes com os Estados Unidos passarão a ser tributados em 15%, desde que atendam às condições definidas pelo governo americano.
Há ainda uma categoria especial de incentivo à produção doméstica: empresas estrangeiras poderão se qualificar para uma tarifa reduzida de 10% caso seus produtos sejam compostos, em peso, por ao menos 85% de aço ou alumínio fabricado e processado dentro dos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, a proclamação amplia o escopo do regime tarifário. Dois novos tipos de produto passam a integrar a lista de itens sujeitos à alíquota de 25%: racks de aço e chapas litográficas de alumínio, material utilizado em processos de impressão industrial.
O governo Trump justificou o conjunto de alterações como uma estratégia para estimular investimentos de curto prazo e consolidar a base industrial americana, dentro da lógica das políticas de segurança nacional que amparam a Seção 232.
As mudanças se inserem no contexto do ciclo tarifário iniciado pela administração Trump ao longo de 2026, que tem reorganizado cadeias globais de fornecimento de metais e afetado exportadores de diversas economias, incluindo o Brasil — um dos principais produtores mundiais de aço e alumínio.
A Seção 232, criada originalmente para proteger setores industriais em cenários de risco à segurança nacional, ganhou uso mais amplo como instrumento de política comercial e reindustrialização sob a atual gestão americana.
A vigência das novas regras até o final de 2027 indica que o governo pretende manter esse marco regulatório por ao menos 18 meses — período que coincide com negociações comerciais em curso entre os Estados Unidos e parceiros estratégicos.
Para fabricantes estrangeiros, as novas alíquotas criam um incentivo direto: aumentar o conteúdo de aço e alumínio de origem americana nos produtos pode ser a via mais eficiente para reduzir o custo de acesso ao mercado dos EUA sem depender de isenções ou acordos bilaterais.
