Política

Vorcaro recebe advogado na PF e avança em negociação de delação premiada

Banqueiro do Master já assinou termo de confidencialidade com PGR e está em cela de passagem na Superintendência em Brasília
Daniel Vorcaro em negociação de delação premiada com a PF e PGR

O banqueiro Daniel Vorcaro, preso e investigado por crimes financeiros, recebeu nesta sexta-feira (20) o advogado Sergio Leonardo na Superintendência da Polícia Federal em Brasília — movimento que reforça a aproximação da defesa com as autoridades para fechar um acordo de delação premiada.

Segundo a colunista Andréia Sadi, do g1, Vorcaro já assinou um termo de confidencialidade com a PGR e a PF, etapa que abre caminho formal para uma eventual colaboração premiada com as investigações.

A movimentação ocorre um dia após Vorcaro ser transferido da Penitenciária Federal de Brasília para o próprio edifício da PF, na quinta-feira (19). Na Superintendência, ele ocupa uma cela chamada de “de passagem” — um espaço compacto com cama, banheiro e grade.

Além do advogado Sergio Leonardo, outro integrante da defesa, José Luís Oliveira Lima, procurou a PF ainda nesta semana para comunicar formalmente o interesse do banqueiro em negociar o acordo.

Segurança reforçada

Com a chegada de Vorcaro ao local, a PF ampliou o aparato de segurança com apoio de agentes da polícia penal federal. O espaço aéreo ao redor da Superintendência foi restrito e o sobrevoo de drones, proibido.

Vorcaro é investigado por suspeitas de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master, pagamentos indevidos a agentes públicos e pela montagem de uma estrutura privada de monitoramento de autoridades e perseguição a jornalistas.

STF nega prisão domiciliar

Antes da transferência para a PF, a defesa havia pedido ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que Vorcaro fosse colocado em prisão domiciliar. O pedido foi negado. Mendonça autorizou apenas a mudança da penitenciária para o edifício da PF — decisão interpretada como sinal de abertura para a negociação da delação.

O movimento tem paralelos com episódios da Operação Lava Jato: naquelas investigações, a transferência de presos em fase de negociação de acordo era usada pelas autoridades como demonstração de boa vontade — um aceno tático que sinalizava disposição para avançar nas tratativas.

Uma eventual colaboração de Vorcaro pode trazer novos elementos para o andamento do inquérito, que apura um esquema de crimes financeiros com potencial de ramificações além do setor bancário.