A Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A decisão foi comunicada aos advogados do banqueiro e ao ministro do STF André Mendonça, relator do Caso Master.
A PGR ainda pode analisar a proposta de forma independente. O acordo era negociado conjuntamente pelas duas instituições, mas a Procuradoria não se manifestou até o momento.
Por que a PF recusou
Investigadores reclamavam que o material entregue pela defesa acrescentava pouco ao que a Polícia Federal já havia levantado por conta própria. A avaliação predominante era de que Vorcaro agia para proteger pessoas próximas — e não para colaborar de forma efetiva com as investigações.
A proposta preliminar foi apresentada cerca de um mês antes da rejeição e considerada fraca tanto pelos policiais federais quanto pelos procuradores. O conteúdo não trouxe novidades em relação ao apurado no inquérito da Operação Compliance Zero — que culminou na primeira prisão do banqueiro —, repetindo situações e diálogos já conhecidos dos investigadores.
Segundo fontes ligadas ao caso, Vorcaro deixou de citar nomes que estariam no topo da hierarquia da organização criminosa — cujo envolvimento já havia sido identificado pela PF. A Polícia Federal e a PGR fizeram apontamentos nesse sentido.
A rejeição não veio de surpresa: há duas semanas, a PF já havia classificado a proposta inicial como “muito ruim” e exigido ajustes substanciais, sinalizando que o banqueiro estava em desvantagem na mesa de negociação desde o início.
Celulares revelam esquema mais grave
A perícia dos aparelhos apreendidos foi determinante para enfraquecer a posição de Vorcaro na negociação. A PF apreendeu mais de oito celulares do banqueiro, e a análise inicial já revelou que o esquema vai além de fraudes financeiras — envolvendo corrupção, organização criminosa e uso de uma milícia privada para atacar adversários e acessar dados sigilosos. Ao construir um quadro independente a partir dos telefones, a PF esvaziou o principal argumento de Vorcaro na negociação.
Transferência e linha do tempo
Na terça-feira (19), após pedido da PF, o banqueiro foi transferido para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde fica submetido às regras internas para receber visitas de advogados. Antes, ele ocupava uma sala no estilo “sala de Estado-maior” — o mesmo espaço onde o ex-presidente Jair Bolsonaro ficou preso entre novembro de 2025 e janeiro de 2026.
Vorcaro havia sido levado da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência em 19 de março. No dia anterior, seu advogado havia procurado a PF para manifestar interesse em firmar um acordo de delação premiada. No início de maio, a defesa finalizou os anexos da proposta e entregou o material em um pen drive às autoridades.
Segundo o blog da jornalista Andreia Sadi, a negociação tinha como eixo a devolução de recursos e a comprovação de atos de ofício de autoridades citadas — sem alvos pré-definidos ou exclusões na lógica do acordo.
