O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi transferido nesta segunda-feira (23) para o mesmo espaço em que o ex-presidente Jair Bolsonaro ficou detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
A mudança foi autorizada pelo ministro do STF André Mendonça, relator do caso, depois que a defesa recorreu das condições de uma sala menor à qual Vorcaro havia sido destinado inicialmente.
O banqueiro está na Superintendência desde a última quinta-feira (19), quando foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília.
Da penitenciária à cela do ex-presidente
Quando Vorcaro chegou à Superintendência, a avaliação da PF era de que ele não poderia receber o mesmo tratamento reservado a um ex-chefe de Estado. A sala de Estado — espaço previsto em lei para autoridades como presidentes da República — foi descartada, e o banqueiro foi alocado em um quarto menor e com menos recursos.
Inconformada, a defesa recorreu. Mendonça atendeu ao pedido e determinou a transferência para o espaço maior, o mesmo utilizado por Bolsonaro.
O ambiente é composto por uma sala com mesa, cadeira e cama de solteiro, além de banheiro privativo. O local conta com ar-condicionado, janela, armário e frigobar. Até o fechamento desta reportagem, a PF não havia confirmado se equipamentos como televisão e frigobar permanecerão à disposição do preso.
Vorcaro foi detido no início de março durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Preso em São Paulo, foi levado ao Complexo Penitenciário de Potim (SP) e depois transferido para a Penitenciária Federal em Brasília no dia 6 de março.
O banqueiro é investigado por suspeitas de fraudes financeiras ligadas ao Master, envolvimento em pagamentos indevidos a agentes públicos e participação na montagem de uma suposta milícia privada para monitorar autoridades e perseguir jornalistas.
Delação premiada no horizonte
A sequência de transferências ocorre em meio a negociações sobre uma possível delação premiada. Na semana passada, o advogado José Luís Oliveira Lima procurou a PF para informar o interesse de Vorcaro em firmar um acordo de colaboração.
A defesa havia pedido inicialmente a prisão domiciliar — movimento interpretado, segundo apuração da TV Globo, como parte das tratativas iniciais do acordo. O ministro André Mendonça negou a domiciliar, mas autorizou a ida para a Superintendência, onde as regras de detenção são menos rígidas.
No dia 17 de março, os advogados já haviam se reunido com Mendonça e apontado ao ministro que a delação era uma das possibilidades avaliadas por Vorcaro. Uma eventual colaboração poderia introduzir novos elementos às investigações sobre o Master.
O movimento segue um padrão conhecido: em casos anteriores, como na Operação Lava Jato, a transferência de presos em negociação foi usada como sinal de boa vontade das autoridades. O caso Master tramita em sigilo no STF, e as decisões de Mendonça não foram tornadas públicas. Questionado pela TV Globo, o advogado de Vorcaro afirmou que não comentará o caso no momento, citando a “sensibilidade” da situação.