A proposta de colaboração premiada enviada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi avaliada pela Polícia Federal como ‘muito ruim’ — e precisará de ajustes substanciais para ter qualquer chance de avançar.
O recado será repassado aos advogados de defesa de Vorcaro. A primeira proposta formal foi entregue nesta semana, dando início à fase de negociações com a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
PF quer Vorcaro de volta à penitenciária federal
Nas últimas semanas, a Polícia Federal pediu ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), que o banqueiro seja transferido de volta à Penitenciária Federal de Brasília, próxima ao Complexo da Papuda.
Vorcaro está instalado na sede da PF na capital desde 19 de março — mudança autorizada para viabilizar as negociações do acordo de colaboração premiada. Em 23 de março, passou a ocupar as mesmas instalações que abrigaram o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O pedido de retorno à prisão federal é um sinal de que a paciência dos investigadores tem limite. Um investigador disse que Vorcaro precisa entender que está em posição frágil e em desvantagem para negociar — não é ele quem determina o que entrará ou não no acordo.
Compliance Zero muda o equilíbrio das negociações
A nova fase da Operação Compliance Zero foi decisiva para alterar o jogo. Com ela, a PF demonstrou ter mapeado com profundidade o esquema criminoso de Vorcaro — esvaziando o principal trunfo do banqueiro: a exclusividade das informações que poderia oferecer.
A operação mapeou pagamentos mensais ao senador Ciro Nogueira e revelou emendas parlamentares redigidas pelo próprio banco. A PF apontou Ciro Nogueira como destinatário central dos repasses de Vorcaro, consolidando a desvantagem do banqueiro na mesa de negociação.
A PF e a PGR já haviam sinalizado rejeição à proposta inicial e exigido mais dados — a defesa respondeu entregando novos anexos em pen drive para tentar salvar o acordo.
Agora, com a proposta formal na mesa, começa a rodada de ajustes. Vorcaro terá de decidir se amplia o escopo do que oferece ou arrisca ver a colaboração premiada definitivamente rejeitada pelos investigadores.
