A montadora chinesa GAC anunciou nesta quarta-feira (18) que iniciará a produção de veículos no Brasil em 2027, na cidade de Catalão, em Goiás.
A empresa vai operar na mesma fábrica usada pela parceira brasileira HPE — que atualmente fabrica modelos da Mitsubishi —, com capacidade prevista de até 50 mil unidades por ano.
O movimento amplia a disputa das marcas asiáticas no mercado nacional, onde a BYD já ocupa a liderança entre as montadoras chinesas.
Investimento bilionário e parceria estratégica
A produção local é o próximo passo de uma estratégia que a GAC vem desenhando desde que lançou sua operação no Brasil em maio de 2025. Na ocasião, a empresa já havia sinalizado intenção de ter manufatura nacional ainda neste ano — prazo que foi deslocado para 2027.
A montadora anunciou, no ano passado, um plano de R$ 6 bilhões de investimento em cinco anos no país. A escolha de Catalão não é aleatória: a cidade goiana já tem tradição automotiva consolidada, com a fábrica da HPE abrigando a linha de produção da Mitsubishi.
Com capacidade projetada de até 50 mil veículos anuais sob a marca GAC, a unidade se tornará mais um polo de fabricação chinesa em solo brasileiro — fenômeno que está redesenhando a geografia industrial do setor.
GAC no mundo e na China
Fundada em 2008, a GAC afirma ser a sexta maior fabricante de automóveis da China e tem presença em mais de 100 países. Em 2024, produziu cerca de 2 milhões de veículos globalmente. No mercado doméstico, opera joint-ventures com Toyota e Honda — parceiros que consolidaram sua expertise em produção em escala.
No Brasil, o modelo de estreia da marca é o GS3 — SUV com motor 1.5 turbo de 170 cv e câmbio de dupla embreagem com 7 marchas, colocado em pré-venda semanas antes deste anúncio e que disputa diretamente com o T-Cross e o Creta por menos de R$ 200 mil.
A ofensiva chinesa que redefine o setor
A chegada da GAC à manufatura local é mais um capítulo de uma transformação profunda no mercado automotivo brasileiro. A pressão das montadoras chinesas já levou marcas como a Renault a reformular toda a sua estratégia para conter BYD e Chery no Brasil — e agora a GAC deixa de ser apenas importadora para entrar no campo das produtoras nacionais.
Com a BYD como referência de vendas e a GAC avançando para a produção local, o mercado brasileiro vive uma disputa que vai além do preço: é uma batalha por capacidade industrial, escala e presença de longo prazo.
A previsão de 50 mil unidades anuais, se confirmada, colocaria a GAC entre as maiores operações de montagem do país. O sucesso do plano depende da consolidação da demanda por veículos de origem chinesa entre os consumidores brasileiros e de um ambiente regulatório estável nos próximos anos.
